“Um Caos e uma Vergonha”: Setor do Turismo Exige Suspensão Imediata do Novo Sistema de Fronteiras nos Aeroportos
O verão de 2026 aproxima-se a passos largos e, com ele, cresce o receio da “tempestade perfeita” nos aeroportos portugueses. Associações de hotelaria, companhias aéreas e agências de viagens uniram a voz num coro de duras críticas para exigir a suspensão imediata do Entry/Exit System (EES), o novo sistema europeu de controlo automatizado de fronteiras externas.
As longas filas de espera — que chegam a ultrapassar as duas horas nas chegadas de Lisboa, Porto e Faro — estão a prejudicar gravemente a imagem de Portugal. O setor avisa: se nada for feito, os fluxos de turistas vão desviar-se para destinos concorrentes.
O que é o EES e por que está a gerar o caos?
Implementado de forma faseada no Espaço Schengen desde o final de 2025, o EES substituiu os tradicionais carimbos nos passaportes por um registo eletrónico centralizado através da recolha de dados biométricos (fotografia e impressões digitais). Aplica-se a todos os cidadãos fora da União Europeia que entram para estadias de curta duração.
O grande nó cego está no tempo de processamento:
- A versão de Bruxelas: A Comissão Europeia demarca-se das culpas e afirma que o registo demora pouco mais de um minuto por pessoa na maioria dos Estados-membros.
- A realidade dos aeroportos: A Associação das Companhias Aéreas em Portugal (RENA) contrapõe, afirmando que o processo real de recolha demora cerca de três minutos e meio por passageiro, gerando um efeito de funil insustentável.
O Jogo de Empurrão: Governo, Bruxelas e Países Vizinhos
Enquanto a Ryanair utiliza as redes sociais para satirizar as filas em Lisboa e os hoteleiros relatam uma “tensão imensa” com hóspedes exaustos, a batalha política faz-se em duas frentes:
- A pressão sobre o Governo: O setor acusa o Executivo português de querer ser o “bom aluno” de Bruxelas em vez de defender a economia nacional. Países como a Grécia e a França já acionaram os mecanismos europeus de flexibilização para suspender o sistema em momentos excecionais. O turismo exige que Portugal e Espanha façam o mesmo de forma conjunta.
- A resposta do Executivo: Os Ministros das Infraestruturas e da Administração Interna já vieram a público reconhecer o “embaraço” e assumir que a situação atual não é a desejável, justificando as falhas com problemas informáticos, obras e picos de tráfego.
As Medidas de Emergência Prometidas pelo Governo
Para mitigar o impacto antes do pico do verão, o Ministério da Administração Interna anunciou um plano de contingência:
- No imediato: Incremento do número de boxes de controlo manual e ampliação dos e-gates (fronteiras automáticas) no Aeroporto Humberto Delgado (Lisboa).
- Para julho: Reforço de 360 agentes da PSP nas várias infraestruturas aeroportuárias do país.
No entanto, para os operadores turísticos, estas medidas chegam tarde e são meramente “paliativas”, não resolvendo a falha estrutural da tecnologia do EES.
O Custo Real para as Empresas
O problema vai muito além do desconforto dos passageiros. As agências de viagens alertam que operadores internacionais já estão a sugerir destinos alternativos a Portugal.
Além disso, as companhias aéreas enfrentam custos astronómicos: passageiros retidos nas fronteiras perdem voos, obrigando à descarga de bagagens em terra, gerando atrasos em cascata, perda de slots e potenciais coimas das quais as operadoras garantem não ter qualquer culpa.
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