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🇵🇹 O Retrato da Infância: Portugal Foi o 2.º País da UE a Perder Mais Crianças em 50 Anos

Por Bruna
01/06/2026 às 10:56
🇵🇹 O Retrato da Infância: Portugal Foi o 2.º País da UE a Perder Mais Crianças em 50 Anos

O dia 1 de junho de 2026 fica marcado por um forte alerta demográfico. Um estudo inédito da Fundação Francisco Manuel dos Santos, cruzando dados do INE, Pordata e Eurostat, revela que Portugal foi o segundo país da União Europeia que mais crianças perdeu nos últimos 50 anos, transformando-se num dos territórios mais envelhecidos da Europa.

A reviravolta é impressionante: em 1975, Portugal era o segundo país europeu com maior percentagem de população infantil (22% da população tinha menos de 12 anos). Hoje, o país caiu para o quarto lugar dos que têm menos crianças, representando estas apenas 9,8% do total de residentes (cerca de 1,58 milhões de crianças). Passámos de uma proporção de uma criança para cada quatro adultos, para apenas uma criança para cada 10 adultos.

O Mapa da Quebra: 4 Municípios que Contrariam a Tendência

Entre 1991 e 2024, a perda de população infantil foi generalizada em quase todo o território nacional. Apenas quatro municípios em todo o país conseguiram registar um crescimento no número de crianças:

  1. Montijo: (+10,6%) – O maior aumento do país, muito impulsionado pela atração de jovens famílias na Margem Sul.
  2. Lisboa: (+9,2%)
  3. Aljezur: (+8,8%)
  4. Vila Velha de Ródão: (+6,8%)

Em sentido inverso, as maiores e mais severas quedas na população infantil registaram-se nos municípios de Câmara de Lobos e Porto Moniz (na Madeira) e na Ribeira Grande (nos Açores).

Escolas e Creches: Crianças Portuguesas Passam Mais Horas na Escola do que a Média da UE

O estudo traz à tona um dado muito sensível sobre a rotina e a conciliação familiar em Portugal. Embora o país esteja no topo europeu na taxa de frequência do pré-escolar (94,5% das crianças entre os 3 anos e a idade escolar estão matriculadas), os alunos portugueses são dos que passam mais tempo fechados nas escolas e creches.

Carga Horária Semanal (Crianças dos 6 aos 11 anos):

  • Média da União Europeia: 31,5 horas por semana na escola.
  • Média em Portugal: 38 horas por semana.

Em termos globais na UE, Portugal só é ultrapassado pela Hungria. Este dado reflete a rigidez dos horários de trabalho dos pais em Portugal, obrigando as crianças a longas jornadas diárias entre o ensino e os prolongamentos escolares (ATL).

O Contexto Familiar e o Risco de Pobreza

O retrato das famílias onde crescem as crianças portuguesas também mudou radicalmente nas últimas décadas:

  • Estrutura Familiar: 69% das crianças vivem com um casal; 20% inserem-se em agregados com mais de dois adultos (famílias alargadas com avós, por exemplo); e 11% crescem em famílias monoparentais.
  • A Boa Notícia na Pobreza: Atualmente, existem 157 mil crianças a viver em agregados familiares em risco de pobreza. Embora continue a ser um número expressivo e preocupante, reflete uma descida acentuada na última década, visto que em 2015 esse número ascendia às 260 mil crianças.

O Desafio do Futuro para as Famílias e Imigrantes

Estes indicadores mostram que o país precisa, mais do que nunca, de políticas de apoio à natalidade, habitação acessível e horários laborais mais flexíveis. Para a comunidade de imigrantes que escolhe Portugal para criar os seus filhos, este cenário traduz-se em duas realidades:

  1. Escolas Prontas a Acolher: A baixa taxa de natalidade local faz com que o sistema escolar necessite do fluxo de crianças imigrantes para manter turmas abertas, facilitando a inclusão (reforçada agora pela equivalência automática de estudos aprovada em maio de 2026).
  2. O Desafio do Tempo: O modelo de trabalho em Portugal exige muitas horas presenciais, o que obriga a um planeamento logístico muito forte por parte dos pais para gerir os horários escolares e os tempos de recolha das crianças.

💬 Comunidade: Como Sente esta Realidade no Dia a Dia?

Este retrato da infância no Dia Mundial da Criança abre espaço para uma reflexão profunda sobre o país que estamos a construir.

  • Sente que a carga horária de 38 horas semanais nas escolas portuguesas é excessiva para as crianças ou considera que é uma ajuda indispensável para os pais que trabalham a tempo inteiro?
  • Na sua cidade ou concelho, nota que há cada vez menos crianças nas ruas e parques ou vive num dos municípios que contrariam a quebra?

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