Duas Realidades: Portugal Ganha 6 Mil Novos Milionários, mas Classe Média Perde Riqueza

Os dados do UBS põem a descoberto o impacto da crise da habitação na riqueza das famílias. Entre 2020 e 2025, a riqueza média por adulto em Portugal cresceu cerca de 7%, colocando o país no topo da tabela de crescimento europeu, a par de economias como Espanha (+16%) e Grécia (+9%).
Em contrapartida, as grandes potências da União Europeia, como França ou Itália, viram o número de grandes fortunas encolher. Contudo, a subida média em Portugal esconde uma armadilha estatística: a riqueza mediana caiu 4,4% no mesmo período.
A Diferença Crucial: Média vs. Mediana
Para compreender o retrato traçado pelo banco suíço, é preciso separar estes dois indicadores:
- Riqueza Média (€172 mil / $195.761 por adulto): É inflacionada pelas fortunas do topo. Se um pequeno grupo de pessoas acumula milhares de milhões, a média nacional sobe artificialmente, fazendo parecer que todos os cidadãos enriqueceram.
- Riqueza Mediana ($76.978 por adulto): É o indicador mais realista. Divide a população exatamente ao meio (os 50% mais ricos dos 50% mais pobres). O facto de ter caído 4,4% em cinco anos prova que o cidadão típico perdeu património líquido e poder de compra.
Milionários de “Papel”: O Peso de Ter uma Casa Própria
O UBS aponta uma característica única e arriscada no perfil de riqueza das famílias portuguesas: a extrema dependência do mercado imobiliário.
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│ ONDE ESTÁ A RIQUEZA DOS PORTUGUESES? │
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│ • APENAS 37% EM ATIVOS FINANCEIROS │
│ Os portugueses investem muito pouco em ações, fundos ou empresas │
│ (uma das taxas mais baixas da Europa). │
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│ • 63% EM TIJOLO E HABITAÇÃO │
│ A riqueza está quase toda concentrada na casa de morada familiar. │
│ A subida dos preços imobiliários tornou as pessoas ricas "no papel", │
│ mas sem dinheiro físico (liquidez) disponível na conta bancária. │
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Apesar da explosão no topo, Portugal continua na cauda da Europa Ocidental: apenas 2,1% da população adulta é considerada milionária, ocupando o 26.º lugar num ranking de 30 economias avançadas, muito atrás do milhão de milionários que vive em Espanha.
A Visão dos Analistas: O relatório do UBS consolida a perceção de que Portugal enfrenta um esmagamento da sua classe média. Enquanto noutros países europeus a maior fatia da população se distribui na faixa intermédia de riqueza (entre os 100 mil e 1 milhão de dólares), a maioria esmagadora dos adultos portugueses continua estagnada na base, com patrimónios que não passam dos 10 mil a 100 mil dólares, evidenciando um “miolo” social fragilizado.
Comunidade: Sente Este País a Duas Velocidades?
A divergência entre o recorde de novos milionários e a perda de riqueza real da maioria dos agregados familiares está no centro do debate social no país.
- Acredita que o facto de a riqueza em Portugal estar tão dependente do valor das casas é uma bomba-relógio para a classe média, ou considera natural que a valorização do imobiliário acabe por beneficiar quem comprou casa há mais tempo?
- O que deveria ser feito para ajudar as famílias a desviarem a poupança do “tijolo” e a acederem a investimentos financeiros mais rentáveis?
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