Blog

António José Seguro Pede Fiscalização Preventiva ao Tribunal Constitucional sobre Decreto de Asilo e Retorno

Por Bruna
18/08/2026 às 09:42
António José Seguro Pede Fiscalização Preventiva ao Tribunal Constitucional sobre Decreto de Asilo e Retorno

O Presidente da República solicitou esta sexta-feira ao Tribunal Constitucional (TC) a fiscalização preventiva do decreto que estabelece o novo regime de concessão de asilo, detenção e retorno de estrangeiros em Portugal. O diploma, originado a partir de duas propostas de lei do Governo, tinha sido aprovado no Parlamento com os votos a favor de PSD, IL e CDS-PP, a abstenção do Chega e os votos contra de PS, Livre, PCP, BE, PAN e JPP.

Na base da decisão de submeter o diploma ao Tribunal Constitucional estão fundadas dúvidas jurídicas e humanitárias, com particular destaque para a proteção dos menores e das famílias.

Mapeamento da Decisão Presidencial e Enquadramento Político

Parâmetro / CategoriaDetalhes do Processo Político e Jurídico
Iniciativa PresidencialPedido de fiscalização preventiva submetido ao Tribunal Constitucional por António José Seguro
Objeto do DecretoNovas regras sobre concessão de asilo, detenção e retorno de cidadãos estrangeiros
Votação Parlamentar InicialAprovado a 17 de julho com votos favoráveis de PSD, IL e CDS-PP, abstenção do Chega e oposição de PS, Livre, PCP, BE, PAN e JPP
Principais Dúvidas do PRGarantia do interesse superior da criança, risco de separação entre pais e filhos e possibilidade de expulsão indireta de menores portugueses

O Equilíbrio Entre Segurança de Fronteiras e Dignidade Humana

Na nota oficial que acompanha o envio do diploma para o Palácio Ratton, o Chefe de Estado reconhece publicamente a necessidade imperiosa de combater a imigração ilegal e reforçar a defesa e o controlo das fronteiras nacionais.

Contudo, o Presidente da República sublinha que esse objetivo estratégico “não é incompatível com a dignidade humana”, manifestando reservas profundas quanto à conformidade constitucional de vários artigos do texto aprovado na Assembleia da República:

  • Proteção de Menores: O foco principal da fiscalização preventiva prende-se com a salvaguarda do interesse superior da criança, questionando se o articulado legal acautela devidamente a unidade familiar.
  • Risco de Separação: O PR aponta dúvidas específicas sobre a eventualidade de a lei permitir a separação forçada entre pais e filhos, bem como cenários que possam conduzir à expulsão (ainda que de forma indireta ou consequencial) de menores de nacionalidade portuguesa.

Próximos Passos no Tribunal Constitucional

Com a remessa do decreto, o Tribunal Constitucional dispõe agora de um prazo legal para analisar a constitucionalidade das normas postas em causa.

  • Caso o TC declare o diploma inconstitucional, o texto terá de regressar à Assembleia da República para ser alterado ou expurgado das normas feridas de ilegalidade.
  • Se a constitucionalidade for confirmada, o decreto regressará a Belém para efeitos de promulgação presidencial.

Discussão