Acidente do Elevador da Glória: Apenas Uma Família Avança para Tribunal Enquanto Fidelidade Fecha Acordos com Vítimas

Quase um ano após o trágiko acidente registado no histórico Elevador da Glória, em Lisboa, o processo de indemnização às famílias das 16 vítimas mortais regista avanços predominantemente por via extrajudicial. Em resposta a esclarecimentos prestados ao jornal Público, a Fidelidade, seguradora responsável pela apólice da Carris, adiantou que a esmagadora maioria dos processos seguiu para a via da negociação e acordo amigável, contabilizando-se apenas um caso a tramitar nos tribunais.
Mapeamento do Estado dos Processos de Indemnização (Vítimas Mortais)
| Estado do Processo | Número de Casos | Detalhes e Ações Desenvolvidas |
| Acordos Fechados | 4 famílias | Processos concluídos com indemnizações já acordadas e validadas pela Comissão Técnica Independente. |
| Em Negociação | 7 processos | Casos atualmente a decorrer na fase de acordo amigável com a seguradora. |
| Via Judicial | 1 família | O marido e a filha de uma das vítimas (trabalhadora da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, de 49 anos) avançaram para o Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa, reclamando uma indemnização de 1.050.000 euros à Carris, à Fidelidade e à empresa de manutenção (Mntc). |
| Pendências Especiais | 3 situações | Processos onde ainda não foi possível avançar com proposta definitiva devido a pendências documentais e complexidades legais internacionais. |
| Via Laboral | 1 caso | Situação tratada exclusivamente no âmbito de acidentes de trabalho, com pagamento de pensões provisórias até decisão final do tribunal laboral. |
A Situação dos Feridos e o Trabalho da Comissão Técnica
No que diz respeito aos 24 feridos (envolvendo 15 nacionalidades distintas com lesões de gravidade diversa), a seguradora sublinha que nenhum tem ainda a situação clínica definitivamente consolidada. Esta ausência de estabilização clínica impede a avaliação final e essencial dos danos corporais para o cálculo das respetivas indemnizações definitivas.
Até ao momento, a Fidelidade indica ter suportado aproximadamente 2,3 milhões de euros em despesas correntes decorrentes da tragédia, abrangendo custos com serviços funerários, trasladações, repatriamentos, tratamentos médicos, internamentos cirúrgicos, reabilitação e transportes.
Para garantir a transparência e rigor técnico de todo o processo de compensação, foi criada uma Comissão Técnica Independente para Acompanhamento das Indenizações, organismo encarregue de avaliar de forma especializada e humanizada os danos pessoais e validar as propostas financeiras apresentadas aos afetados.
Comunidade: O Que Pensa da Resolução Deste Processo?
- Acredita que a via dos acordos extrajudiciais gerida por comissões independentes é a forma mais justa e célere de apoiar as famílias das vítimas em tragédias desta dimensão?
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