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Reagrupamento familiar desaparece novamente do site da AIMA e gera incerteza entre imigrantes em Portugal

Por Amigos em Coimbra
31/10/2026 às 17:36
Reagrupamento familiar desaparece novamente do site da AIMA e gera incerteza entre imigrantes em Portugal

Sem aviso ou explicação oficial, a opção de reagrupamento familiar foi retirada do formulário de contato da AIMA. Advogados alertam para as dificuldades enfrentadas por famílias que ainda não conseguiram iniciar o processo.

Milhares de imigrantes que vivem em Portugal enfrentam uma nova preocupação. A opção de reagrupamento familiar desapareceu novamente do formulário de contato da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), sem qualquer comunicado oficial sobre os motivos da mudança.

A alteração foi identificada na sexta-feira, 30 de outubro, por pessoas que tentavam acessar o serviço para solicitar o agendamento de familiares que já vivem em território português.

Até então, o formulário era um dos principais canais utilizados por residentes estrangeiros para iniciar o processo de regularização de cônjuges, filhos e outros familiares abrangidos pela legislação.

A retirada da opção deixou muitas famílias sem saber como proceder, especialmente aquelas que ainda não conseguiram formalizar seus pedidos.

AIMA ainda não explicou o motivo da retirada

Até a publicação da reportagem original do PÚBLICO Brasil, a AIMA não havia divulgado qualquer esclarecimento sobre a indisponibilidade do serviço.

Também não havia informações sobre uma possível data de retorno ou sobre a existência de outro canal oficial para substituir o formulário.

O jornal encaminhou perguntas à agência, solicitando esclarecimentos sobre a decisão e orientações para as famílias afetadas, mas não recebeu resposta até o fechamento da reportagem.

Advogada aponta dificuldades no acesso a um direito garantido por lei

Para a advogada Érica Acosta, a situação vai além de uma simples alteração no sistema.

Segundo ela, desde outubro de 2024, a AIMA não disponibiliza agendamentos pela via administrativa, impedindo que muitos interessados consigam iniciar o procedimento.

Na avaliação da especialista, essa dificuldade compromete um direito reconhecido pela legislação portuguesa.

A Lei nº 23/2007 prevê o reagrupamento familiar para residentes legais, enquanto a Constituição portuguesa protege a convivência familiar.

A advogada também destaca a Diretiva 2003/86/CE da União Europeia, que estabelece regras para a reunião de familiares de cidadãos estrangeiros legalmente residentes e considera a proteção dos direitos das crianças.

Para Érica, impedir o acesso ao procedimento administrativo pode representar uma violação desses direitos e até justificar uma atuação da Comissão Europeia.

O que pode ter provocado o desaparecimento do formulário?

Sem explicações oficiais, especialistas consideram diferentes possibilidades.

O advogado Célio Sauer, ouvido pelo PÚBLICO Brasil, aponta três hipóteses:

  • Falha técnica: a opção pode ter desaparecido devido a um erro no sistema da AIMA.
  • Mudança de plataforma: o serviço pode estar sendo transferido para outro portal, novo ou já existente.
  • Fim do regime de transição: a agência pode ter decidido encerrar o acesso ao formulário utilizado para pedidos relacionados às regras anteriores.

A última possibilidade é considerada especialmente preocupante para os imigrantes que ainda não realizaram o cadastro.

O regime de transição terminou em 21 de abril de 2026. Desde então, passou a valer a regra geral da Lei nº 61/2025, que exige, em regra, autorização de residência válida há pelo menos dois anos para solicitar o reagrupamento familiar, com exceções previstas na legislação, incluindo situações envolvendo filhos menores.

Na época, uma fonte da AIMA informou que a agência estudava a criação de um novo formulário para os pedidos apresentados após essa data.

Entretanto, ainda não há confirmação de que o desaparecimento da opção esteja relacionado a essa mudança.

Para Célio Sauer, a ausência de informações gera insegurança jurídica, principalmente para quem ainda não conseguiu iniciar o processo.

Não é a primeira vez que o serviço desaparece

Uma situação semelhante aconteceu em 5 de agosto, quando a opção de reagrupamento familiar também foi retirada do formulário.

Na ocasião, a AIMA explicou que a interrupção era temporária e necessária para realizar melhorias no sistema. A previsão era de que o serviço voltasse em até dois dias, o que aconteceu pouco depois.

Outras interrupções também ocorreram nos meses seguintes, mas foram previamente comunicadas:

  • 20 de setembro: atualização tecnológica do formulário.
  • 2 e 3 de outubro: intervenção técnica programada.

Desta vez, porém, a opção deixou de aparecer sem qualquer aviso público, aumentando as dúvidas entre os usuários.

Governo afirma que reagrupamento familiar é prioridade

O desaparecimento do serviço acontece em um momento em que o Governo português e a AIMA apresentam o reagrupamento familiar como uma das prioridades da política migratória.

Em agosto, uma fonte da agência afirmou que o objetivo era concluir o agendamento de todos os pedidos até o final do ano.

Segundo informações divulgadas pela AIMA, mais de cinco mil casos foram agendados na semana anterior à reportagem, e todos os pedidos considerados aptos para atendimento já tinham data marcada.

Além disso, durante uma audiência parlamentar realizada em 7 de outubro, o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, informou que a AIMA havia realizado 55 mil agendamentos de reagrupamento familiar em 2026, com 26 mil autorizações concedidas.

Os números superam a média histórica, que era inferior a 20 mil autorizações anuais.

Apesar dos avanços apresentados pelo Governo, a dificuldade permanece para aqueles que ainda não conseguiram formalizar seus pedidos.

Como solicitar o reagrupamento familiar enquanto o formulário estiver indisponível?

Enquanto não existe uma orientação oficial sobre a retirada da opção, o advogado Célio Sauer aponta uma possível alternativa.

Segundo as informações disponíveis ao especialista, os pedidos ainda poderiam ser encaminhados para o endereço eletrônico:

geral@aima.gov.pt

Entretanto, é importante destacar que não há confirmação oficial de que esse canal substitua o formulário ou garanta a abertura e o andamento do processo.

Por isso, os interessados devem acompanhar os comunicados da AIMA e buscar orientação jurídica especializada quando necessário, especialmente em situações que envolvam prazos e direitos familiares.

Famílias aguardam esclarecimentos

O reagrupamento familiar é fundamental para milhares de imigrantes que desejam viver legalmente com seus familiares em Portugal.

A falta de informações sobre o funcionamento dos canais de atendimento gera preocupação e dificulta o planejamento de quem aguarda uma oportunidade para regularizar a situação da família.

Até o fechamento da reportagem original, a AIMA não havia esclarecido os motivos da retirada nem informado quando o serviço voltaria a funcionar.

Enquanto não houver uma resposta oficial, permanece a incerteza para as famílias que ainda precisam iniciar o pedido de reagrupamento familiar.

E você, já tentou acessar o formulário de reagrupamento familiar da AIMA? Encontrou a opção disponível ou também teve dificuldades? Compartilhe sua experiência nos comentários.

Acompanhe o Amigos em Coimbra para ficar por dentro das principais notícias sobre imigração, documentação e direitos dos brasileiros em Portugal.

Fonte: PÚBLICO Brasil. Reportagem sobre a retirada da opção de reagrupamento familiar do formulário da AIMA, publicada em 30 de outubro de 2026.

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