
No Dia do Trabalhador, novos dados ajudam a traçar um retrato claro do mercado de trabalho em Portugal. Apesar de o país apresentar bons indicadores de emprego, persistem desafios importantes relacionados às condições de trabalho, como salários baixos, longas jornadas e níveis elevados de precariedade.
Mais pessoas empregadas, acima da média europeia
Portugal destaca-se positivamente no cenário europeu quando o assunto é emprego. De acordo com dados analisados pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, com base na Pordata, o país apresenta uma taxa de emprego de 79,6%, superando a média da União Europeia, que é de 76,1%.
Esse desempenho coloca Portugal na 12ª posição entre os 27 países do bloco. No topo do ranking estão Malta, Países Baixos e Chéquia, enquanto Itália, Romênia e Grécia ocupam as últimas posições.
Outro ponto positivo é a forte integração dos jovens adultos no mercado de trabalho. Entre pessoas de 25 a 29 anos, Portugal possui a sétima maior taxa de emprego da União Europeia, com 82,8%. Isso acontece em um contexto em que apenas uma em cada quatro pessoas entre 20 e 64 anos está fora do mercado de trabalho no bloco europeu.

Jornada de trabalho mais longa que a média
Apesar dos números positivos no emprego, a carga horária em Portugal chama atenção. O país está entre os que mais trabalham na Europa, com uma média semanal de 39,7 horas, acima das 37 horas registradas como média europeia.
Apenas Bulgária, Romênia, Polônia e Grécia apresentam jornadas ainda mais longas. Esse dado reforça a percepção de que, embora haja mais pessoas empregadas, o equilíbrio entre vida pessoal e trabalho ainda é um desafio relevante no país.
Salários abaixo da média europeia
Se por um lado há mais emprego, por outro, os salários continuam sendo um dos principais pontos de preocupação. O rendimento médio bruto mensal em Portugal é de 2.068 euros, bem abaixo da média europeia de 3.317 euros.
A diferença torna-se ainda mais evidente quando comparada a países como Luxemburgo, onde o salário médio ultrapassa os 6.900 euros. Esse cenário evidencia a dificuldade em acompanhar o padrão salarial europeu, mesmo com bons níveis de empregabilidade.
Precariedade ainda afeta muitos trabalhadores
Outro problema persistente é a precariedade no emprego. Cerca de 15% dos trabalhadores por conta de outrem possuem contratos temporários, colocando Portugal entre os cinco países da União Europeia com maior incidência desse tipo de vínculo.
Esse fator impacta principalmente os mais jovens, que enfrentam maior instabilidade e dificuldade de planejamento a longo prazo.
Reforma laboral em debate
Diante desse cenário, o governo liderado por Luís Montenegro iniciou um processo de revisão da legislação trabalhista. A proposta, conduzida pela ministra do Trabalho, Maria Rosário Palma Ramalho, prevê a alteração de mais de 100 artigos do Código do Trabalho.
O objetivo é modernizar e aumentar a competitividade do mercado laboral português. No entanto, o consenso ainda parece distante. Após mais de 200 horas de negociação ao longo de nove meses, a proposta foi rejeitada pela UGT.
Entre os principais pontos de divergência estão:
- Regras de despedimento
- Duração dos contratos a prazo
- Retorno do banco de horas individual
- Maior flexibilidade no uso de outsourcing
Um mercado em evolução, mas com desafios históricos
O retrato atual mostra um país que avançou na geração de empregos e na integração de trabalhadores, especialmente jovens. No entanto, questões estruturais como baixos salários, carga horária elevada e precariedade ainda limitam a qualidade do trabalho em Portugal.
O desafio agora é equilibrar crescimento econômico com melhores condições de trabalho, garantindo não apenas mais empregos, mas também mais qualidade de vida para os trabalhadores.
Fonte: SIC Notícias
