
No Dia do Trabalhador, novos dados revelam um cenário preocupante no mercado de trabalho em Portugal: o número de pessoas com dois ou mais empregos atingiu o nível mais alto já registrado. Além disso, o país aparece entre os que mais enfrentam trabalho precário entre os jovens na União Europeia.
Mais de 267 mil pessoas com dois empregos
Em 2025, o número de trabalhadores com dois ou mais empregos ultrapassou 267 mil pessoas, segundo informações divulgadas pelo Jornal de Notícias. Esse total representa um crescimento significativo em relação a 2012, quando o número era de 194,5 mil.
O valor atual resulta da soma de dois grupos:
- 143.300 pessoas que já mantinham múltiplos empregos
- 124.200 que deixaram de ter apenas um trabalho
Após uma queda em 2020, no primeiro ano da pandemia, os números voltaram a crescer, seguindo uma tendência de alta observada desde 2015.
Precariedade e baixos salários explicam o cenário
De acordo com o sociólogo Elísio Estanque, o aumento do duplo emprego está diretamente ligado à instabilidade do mercado de trabalho. Entre os principais fatores estão:
- Crescimento da precariedade
- Aumento do subemprego em tempo parcial
- Persistência de baixos salários
- Impacto da imigração no mercado de trabalho
Esse conjunto de fatores leva muitos trabalhadores a buscar uma segunda fonte de renda para conseguir manter o equilíbrio financeiro.
Portugal entre os países com mais contratos temporários
Outro dado relevante mostra que Portugal está entre os cinco países da União Europeia com maior percentual de contratos temporários, atingindo 15,1% dos trabalhadores. O país aparece ao lado de nações como:
- Países Baixos
- Polónia
- França
- Espanha

Jovens são os mais afetados pela instabilidade
A situação é ainda mais crítica entre os jovens. Dados divulgados pelo Público indicam que 4 em cada 10 trabalhadores com menos de 30 anos têm contratos temporários.
O investigador Frederico Cantante alerta que esse número pode ser ainda maior devido à subnotificação. Entre os diferentes grupos etários:
- Menores de 18 anos: quase 60% em contratos temporários
- Entre 18 e 24 anos: também próximo de 60%
- Entre 25 e 34 anos: cerca de 40%
Esses dados mostram uma forte presença de vínculos instáveis justamente no início da vida profissional.
Próxima greve geral já tem data marcada
Diante desse cenário, a CGTP confirmou a realização de uma greve geral no dia 3 de junho, reforçando as reivindicações por melhores condições de trabalho e maior estabilidade para os trabalhadores.
Um retrato do mercado de trabalho atual
Os dados divulgados neste Dia do Trabalhador reforçam um alerta importante: o aumento do duplo emprego e da precariedade, especialmente entre os jovens, evidencia desafios estruturais no mercado de trabalho português.
A necessidade de múltiplas fontes de renda e a alta incidência de contratos temporários mostram que, apesar das oportunidades, muitos trabalhadores ainda enfrentam dificuldades para alcançar estabilidade e segurança profissional.
Fonte: expresso.pt
