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Brasileiros encontram na Espanha a regularização que enfrentam dificuldades para obter em Portugal

Por Amigos em Coimbra
25/07/2026 às 13:31
Brasileiros encontram na Espanha a regularização que enfrentam dificuldades para obter em Portugal

Enquanto Portugal endurece as regras para imigração, a Espanha segue um caminho diferente e tem atraído cada vez mais brasileiros em busca de oportunidades, estabilidade e regularização da situação migratória.

Mais de 900 mil imigrantes se inscreveram no programa extraordinário de regularização lançado pelo governo espanhol, um número que superou a expectativa inicial de atender cerca de 500 mil pessoas. O prazo para adesão ao programa termina em 30 de junho.

Entre os inscritos estão milhares de brasileiros que enxergam na Espanha uma alternativa mais acessível para viver e trabalhar legalmente na Europa.

Espanha aposta na integração dos imigrantes

A advogada Simone Marins, que há quase um ano deixou Portugal para viver na Espanha, afirma que encontrou mais facilidade para trabalhar e um custo de vida menor.

Segundo ela, o programa de regularização faz sentido porque contempla pessoas que, mesmo sem documentação, já vivem no país, trabalham e contribuem para a Previdência espanhola.

Na avaliação da advogada, o governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez compreendeu que a economia espanhola depende da mão de obra estrangeira e que fechar as portas para os imigrantes pode comprometer o crescimento do país.

Especialistas alertam para os impactos em Portugal

A advogada especializada em direito migratório e internacional Catarina Zuccaro acredita que Portugal pode enfrentar dificuldades no futuro ao restringir a imigração.

Para ela, ao contrário da Espanha, Portugal está criando barreiras que podem afetar o mercado de trabalho e a economia. Catarina afirma que, mais cedo ou mais tarde, entidades empresariais portuguesas poderão pressionar o governo para rever essas políticas.

Ela destaca ainda que um imigrante regularizado cria vínculos com o país, sente mais segurança, consome mais e contribui para o desenvolvimento econômico.

A especialista também lembra que Portugal já realizou uma ampla regularização de brasileiros em meados dos anos 2000, quando cerca de 30 mil cidadãos do Brasil foram beneficiados por um acordo firmado entre os dois países.

Crescimento da população portuguesa depende dos estrangeiros

Dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que a população portuguesa chegou a 11,4 milhões de habitantes em dezembro de 2025.

Segundo Catarina Zuccaro, esse crescimento só foi possível graças ao aumento da população estrangeira. Sem a imigração, a população portuguesa teria permanecido estável ou até diminuído.

Ela ressalta que o impacto já pode ser observado em diversas localidades, onde escolas que haviam sido fechadas voltaram a funcionar devido ao aumento de moradores.

Programa espanhol gera críticas, mas governo mantém posição

A iniciativa espanhola recebeu críticas do comissário europeu para a Administração Interna e Migração da União Europeia, Magnus Brunner, que afirmou enxergar um “mau sinal” na medida. O programa também enfrenta forte oposição de partidos da ultradireita.

Mesmo diante das críticas, Pedro Sánchez defendeu a política migratória do governo.

Segundo ele, quem vive na Espanha e contribui para o desenvolvimento econômico do país merece ter os mesmos direitos que qualquer outro cidadão.

Investidores e aposentados também escolhem a Espanha

Simone Marins e Catarina Zuccaro afirmam que a política espanhola tem atraído não apenas trabalhadores, mas também investidores e aposentados que enfrentam dificuldades para regularizar sua documentação em Portugal.

De acordo com elas, muitos desses entraves estão relacionados à ineficiência da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA).

As especialistas ressaltam que o capital busca ambientes com mais segurança jurídica e menos burocracia.

Economia espanhola apresenta crescimento

Na avaliação de Catarina Zuccaro, a política migratória adotada pela Espanha também se reflete no desempenho econômico do país.

As projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) indicam que o Produto Interno Bruto (PIB) espanhol deverá crescer 2,1% em 2026. A previsão é superior à média da Zona do Euro, estimada em 1,3%, e também acima da projeção para Portugal, de 1,9%.

O FMI também informa que a Espanha voltou a ocupar a posição de 12ª maior economia do mundo, ultrapassando Austrália, México e Coreia do Sul.

Além do fortalecimento do mercado de trabalho, Pedro Sánchez destaca que a imigração ajuda a enfrentar o envelhecimento da população espanhola, um desafio semelhante ao vivido por Portugal.

Segundo o governo espanhol, sem novas pessoas em idade ativa para trabalhar, a prosperidade econômica ficará comprometida.

Quem pode participar da regularização

A maior parte dos mais de 900 mil inscritos no programa espanhol é formada por imigrantes da América Latina, incluindo brasileiros.

Para participar da regularização, é necessário:

  • Não possuir antecedentes criminais;
  • Ter entrado na Espanha até 31 de dezembro de 2025;
  • Comprovar permanência no país por pelo menos cinco meses consecutivos.

A jurista brasileira Thais Camargo, especialista em imigração e atuante em Madri, classificou o projeto como uma iniciativa muito interessante do governo espanhol.

Diferenças entre Espanha e Portugal pesam na decisão dos brasileiros

Simone Marins considera que o programa espanhol evidencia uma diferença importante entre os dois países.

Segundo ela, as medidas adotadas pelo governo português, com apoio da extrema-direita na Assembleia da República, transmitem a sensação de que os imigrantes não são bem-vindos, o que considera um equívoco diante da realidade econômica portuguesa.

Outro ponto destacado por Catarina Zuccaro é o tempo necessário para solicitar a cidadania.

Enquanto Portugal ampliou o período de residência regular de cinco para sete anos para cidadãos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e de cinco para dez anos para os demais estrangeiros, na Espanha é possível solicitar a cidadania após dois anos de residência legal.

Para a especialista, essa diferença influencia diretamente a decisão de trabalhadores, estudantes e investidores sobre qual país escolher para viver.

Governo português defende mudanças

O ministro da Presidência do Conselho de Ministros, António Leitão Amaro, tem afirmado que Portugal deixou de manter as portas totalmente abertas para a imigração.

Segundo ele, o objetivo do endurecimento da legislação era estabilizar o número de imigrantes, que atualmente representam cerca de 14% da população portuguesa.

Fonte: publico.pt

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