Ciência e Prevenção: Como Funciona o Alerta de Tsunamis do IPMA e Como Agir na Costa Lusa

Muitas vezes confundidos na linguagem corrente, a “perigosidade” e o “risco” têm significados muito distintos para os geofísicos. De acordo com o IPMA, a perigosidade do tsunami na costa portuguesa é baixa devido à tectónica da nossa região do Atlântico. Ao contrário do que acontece no chamado “Anel de Fogo” do Pacífico, onde os sismos são diários e violentos, o período de retorno para um grande abalo semelhante ao de 1755 na nossa costa é superior a 1000 anos.
Contudo, o especialista Rachid Omira deixa o aviso: “Isso não quer dizer que não possa acontecer amanhã”. Existem várias falhas ativas na Zona de Fratura Açores-Gibraltar (como a Falha da Glória) que podem romper a qualquer momento, tal como aconteceu nos sismos e tsunamis de menor escala registados em 1941 e 1969.
Os Bastidores do Centro de Alerta de Tsunamis (IPMA)
Em funcionamento desde 2017 e reconhecido formalmente pela UNESCO em 2019, este centro é uma das sentinelas mais importantes da Europa, integrando a rede NEAM (Atlântico Nordeste, Mediterrâneo e Mares Conectados).
- Triagem por Magnitude: Diariamente, os sismógrafos detetam cerca de duas dezenas de sismos na nossa região. No entanto, o protocolo de alerta de tsunamis só é ativado quando um sismo atinge uma magnitude mínima de 5,5 na escala de Richter.
- Responsabilidade Internacional: O centro português não vigia apenas Portugal. Ele tem a responsabilidade internacional de monitorizar e emitir alertas rápidos para toda a costa nordeste atlântica, avisando países como Espanha, Marrocos, França, Reino Unido e Alemanha.
- O Futuro Próximo: Cabos Submarinos Inteligentes: Atualmente, a confirmação física da onda é feita através de marégrafos instalados na costa (o que significa que só temos a certeza quando a água atinge a margem). Para ganhar minutos vitais, está a ser instalado um novo cabo submarino equipado com sensores que ligará o Continente, os Açores e a Madeira, detetando a variação de pressão da onda em pleno oceano profundo, muito antes de ela chegar a terra.
Recomendações Oficiais da Proteção Civil para a Costa
Se estiver numa praia ou zona ribeirinha em Portugal, o conhecimento destes sinais da natureza e das regras de evacuação é a sua única ferramenta de sobrevivência. Um tsunami não avança como uma onda de surf tradicional; avança como uma parede de água maciça e veloz que inunda quilómetros terra adentro.
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│ PROTOCOLO DE EMERGÊNCIA DE 3 PASSOS (TSUNAMI) │
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│ • RECONHECER OS SINAIS DA NATUREZA │
│ Sente um sismo violento que o impede de ficar de pé? Observa um │
│ recuo abrupto e fora do normal da linha da água do mar, deixando o │
│ fundo da areia ou rochas a descoberto? Ouve um rugido forte vindo do │
│ oceano? Não espere por SMS ou sirenes. Afaste-se imediatamente. │
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│ • EVACUAÇÃO PARA ZONAS ALTAS │
│ Corra imediatamente a pé em direção ao interior e procure pontos │
│ altos (pelo menos 30 metros acima do nível do mar ou estruturas │
│ rochosas elevadas). Siga as placas de sinalização verde de │
│ "Rota de Evacuação de Tsunami" se estas existirem na localidade. │
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│ • ABANDONE O AUTOMÓVEL │
│ Nunca tente fugir de carro. O pânico gera congestionamentos imediatos│
│ nas avenidas marginais, transformando as viaturas em armadilhas │
│ mortais. A fuga deve ser feita sempre a pé e com rapidez. │
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O Perigo Oculto nos Arquipélagos: O IPMA alerta ainda que nem todos os tsunamis têm origem em sismos. Nos Açores e na Madeira existe o risco latente de tsunamis de origem vulcânica, causados por colapsos repentinos dos flancos das ilhas para o interior do mar, o que exige uma monitorização constante das deformações das encostas autónomas.
Comunidade: Já Reparou na Sinalização de Tsunami na Sua Praia?
Várias autarquias costeiras em Portugal (como em Cascais, Setúbal ou Portimão) têm vindo a instalar sinalética de emergência e a realizar simulacros com a população para criar uma cultura de autoproteção.
- Na zona costeira onde costuma fazer praia ou passear ao fim de semana, já reparou na existência de placas de sinalização com rotas de evacuação e pontos de encontro para tsunamis?
- Acredita que as escolas e as comunidades litorais deveriam fazer treinos de evacuação obrigatórios todos os anos para garantir que todos sabem como reagir a um sismo seguido de mar?
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