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Ciência e Prevenção: Como Funciona o Alerta de Tsunamis do IPMA e Como Agir na Costa Lusa

Por Bruna
26/06/2026 às 10:39
Ciência e Prevenção: Como Funciona o Alerta de Tsunamis do IPMA e Como Agir na Costa Lusa

Muitas vezes confundidos na linguagem corrente, a “perigosidade” e o “risco” têm significados muito distintos para os geofísicos. De acordo com o IPMA, a perigosidade do tsunami na costa portuguesa é baixa devido à tectónica da nossa região do Atlântico. Ao contrário do que acontece no chamado “Anel de Fogo” do Pacífico, onde os sismos são diários e violentos, o período de retorno para um grande abalo semelhante ao de 1755 na nossa costa é superior a 1000 anos.

Contudo, o especialista Rachid Omira deixa o aviso: “Isso não quer dizer que não possa acontecer amanhã”. Existem várias falhas ativas na Zona de Fratura Açores-Gibraltar (como a Falha da Glória) que podem romper a qualquer momento, tal como aconteceu nos sismos e tsunamis de menor escala registados em 1941 e 1969.

Os Bastidores do Centro de Alerta de Tsunamis (IPMA)

Em funcionamento desde 2017 e reconhecido formalmente pela UNESCO em 2019, este centro é uma das sentinelas mais importantes da Europa, integrando a rede NEAM (Atlântico Nordeste, Mediterrâneo e Mares Conectados).

  • Triagem por Magnitude: Diariamente, os sismógrafos detetam cerca de duas dezenas de sismos na nossa região. No entanto, o protocolo de alerta de tsunamis só é ativado quando um sismo atinge uma magnitude mínima de 5,5 na escala de Richter.
  • Responsabilidade Internacional: O centro português não vigia apenas Portugal. Ele tem a responsabilidade internacional de monitorizar e emitir alertas rápidos para toda a costa nordeste atlântica, avisando países como Espanha, Marrocos, França, Reino Unido e Alemanha.
  • O Futuro Próximo: Cabos Submarinos Inteligentes: Atualmente, a confirmação física da onda é feita através de marégrafos instalados na costa (o que significa que só temos a certeza quando a água atinge a margem). Para ganhar minutos vitais, está a ser instalado um novo cabo submarino equipado com sensores que ligará o Continente, os Açores e a Madeira, detetando a variação de pressão da onda em pleno oceano profundo, muito antes de ela chegar a terra.

Recomendações Oficiais da Proteção Civil para a Costa

Se estiver numa praia ou zona ribeirinha em Portugal, o conhecimento destes sinais da natureza e das regras de evacuação é a sua única ferramenta de sobrevivência. Um tsunami não avança como uma onda de surf tradicional; avança como uma parede de água maciça e veloz que inunda quilómetros terra adentro.

┌─────────────────────────────────────────────────────────────────────────┐
│               PROTOCOLO DE EMERGÊNCIA DE 3 PASSOS (TSUNAMI)             │
├─────────────────────────────────────────────────────────────────────────┤
│  • RECONHECER OS SINAIS DA NATUREZA                                     │
│    Sente um sismo violento que o impede de ficar de pé? Observa um      │
│    recuo abrupto e fora do normal da linha da água do mar, deixando o   │
│    fundo da areia ou rochas a descoberto? Ouve um rugido forte vindo do │
│    oceano? Não espere por SMS ou sirenes. Afaste-se imediatamente.      │
├─────────────────────────────────────────────────────────────────────────┤
│  • EVACUAÇÃO PARA ZONAS ALTAS                                           │
│    Corra imediatamente a pé em direção ao interior e procure pontos     │
│    altos (pelo menos 30 metros acima do nível do mar ou estruturas      │
│    rochosas elevadas). Siga as placas de sinalização verde de           │
│    "Rota de Evacuação de Tsunami" se estas existirem na localidade.     │
├─────────────────────────────────────────────────────────────────────────┤
│  • ABANDONE O AUTOMÓVEL                                                 │
│    Nunca tente fugir de carro. O pânico gera congestionamentos imediatos│
│    nas avenidas marginais, transformando as viaturas em armadilhas      │
│    mortais. A fuga deve ser feita sempre a pé e com rapidez.            │
└─────────────────────────────────────────────────────────────────────────┘

O Perigo Oculto nos Arquipélagos: O IPMA alerta ainda que nem todos os tsunamis têm origem em sismos. Nos Açores e na Madeira existe o risco latente de tsunamis de origem vulcânica, causados por colapsos repentinos dos flancos das ilhas para o interior do mar, o que exige uma monitorização constante das deformações das encostas autónomas.

Comunidade: Já Reparou na Sinalização de Tsunami na Sua Praia?

Várias autarquias costeiras em Portugal (como em Cascais, Setúbal ou Portimão) têm vindo a instalar sinalética de emergência e a realizar simulacros com a população para criar uma cultura de autoproteção.

  • Na zona costeira onde costuma fazer praia ou passear ao fim de semana, já reparou na existência de placas de sinalização com rotas de evacuação e pontos de encontro para tsunamis?
  • Acredita que as escolas e as comunidades litorais deveriam fazer treinos de evacuação obrigatórios todos os anos para garantir que todos sabem como reagir a um sismo seguido de mar?

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