“Escolhe Palavras que Cuidam”: Ordem dos Psicólogos Alerta para o Impacto do que Dizemos às Crianças

No dia a dia corrido, entre a gestão da casa, do trabalho e das rotinas escolares, é fácil deixarmos escapar frases por frustração ou cansaço. No entanto, o que para um adulto pode parecer um desabafo inofensivo ou um “ralhar” passageiro, para uma criança pode transformar-se numa verdade absoluta sobre quem ela é.
A propósito do Dia Mundial da Criança, a Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) lançou uma campanha de sensibilização nacional intitulada “Escolhe Palavras que Cuidam”. O objetivo é alertar os pais, educadores e todos os adultos para o impacto profundo que as palavras têm na autoestima, na autoconfiança e no desenvolvimento emocional dos mais novos.
As Frases “Inofensivas” que Deixam Marcas Profundas
No vídeo oficial da campanha, partilhado nas redes sociais da OPP, são as próprias crianças que dão voz ao manifesto. A mensagem central é um soco no estômago da nossa pressa diária:
“Tu esqueces o que disseste, mas as tuas palavras ficam dentro de mim e eu acredito nelas. Antes de falares comigo, lembra-te: eu ainda estou a aprender a gostar de mim.”
A Ordem dos Psicólogos destaca várias expressões que utilizamos frequentemente de forma automática, mas que desvalorizam as emoções da criança ou geram sentimentos de incapacidade e culpa:
- Desvalorização emocional: “Isso não dói nada!”, “Não tens razões para estar triste” ou “Isso já passa”. (Validar a dor ou a tristeza é o primeiro passo para que a criança aprenda a gerir as suas frustrações).
- Crítica ao erro e rótulos: “Já estragaste tudo!”, “Mas tu não pensas?!” ou “Assim não vais a lado nenhum”. (Estas frases atacam a identidade da criança e não o comportamento em si).
O Poder de Mudar o Discurso: Exemplos de “Palavras que Cuidam”
Mais do que apontar o dedo aos erros habituais dos pais, a campanha da OPP propõe um exercício de substituição. Trata-se de promover uma comunicação mais empática, consciente e respeitadora, ensinando os adultos a trocar o julgamento pelo apoio incondicional.
Aqui estão algumas das expressões positivas sugeridas pelos psicólogos que todos deveríamos incluir no vocabulário diário com os nossos filhos:
- “Tenho orgulho de quem és, não apenas do que fazes.”
- “Eu acredito em ti.”
- “Podes sempre falar comigo sobre o que te preocupa.”
- “Não tens de esconder de mim o que é difícil para ti.”
- “Aconteça o que acontecer, podes sempre contar comigo.”
- “Não tens de ganhar ou merecer o meu amor. Adoro-te!”
Como Praticar uma Comunicação Mais Empática no Dia a Dia?
Mudar a forma como comunicamos exige treino e autoconhecimento por parte dos pais. Deixamos três estratégias simples para aplicar na rotina familiar:
- Separe o Erro da Criança: Quando o seu filho partir algo ou cometer um erro nos trabalhos de casa, evite dizer “Tu és muito distraído/trapalhão”. Prefira focar-se na ação: “Acho que não prestaste atenção a este detalhe, vamos limpar/corrigir juntos?”.
- Valide Antes de Resolver: Se a criança estiver a chorar por algo que lhe parece insignificante, evite o “Deixa-te de choras”. Experimente dizer: “Eu percebo que estejas chateado/triste com isso. Queres um abraço?”. Sentir-se ouvida acalma o sistema nervoso da criança muito mais depressa.
- Peça Desculpa Quando Errar: Os pais não são perfeitos. Se perder a paciência e gritar uma frase mais dura, volte atrás assim que acalmar. Diga: “A mãe/o pai estava muito cansado e não devia ter falado assim contigo. Peço desculpa”. Isto ensina a criança que todos erramos e que reparar as relações é fundamental.
Comunidade: Qual Frase Mais Te Marcou na Infância?
A forma como os nossos pais falavam connosco moldou, em grande parte, o adulto que somos hoje. Criar um ambiente seguro onde os nossos filhos saibam que o amor não depende do desempenho escolar ou do comportamento perfeito é o maior legado que podemos deixar.
- Qual destas “palavras que cuidam” sugeridas pela Ordem dos Psicólogos você costuma usar mais vezes em casa?
- Consegue notar a diferença na reação dos seus filhos quando substitui uma crítica por uma frase de compreensão?
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