Família brasileira encontra segurança e qualidade de vida no Marrocos: “Aqui não temos medo”
Enquanto milhões de brasileiros acompanhavam a estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026 contra o Marrocos, uma família brasileira vivia esse momento de forma ainda mais especial. Morando em Marraquexe desde 2019, Teresa Cristina Fonseca da Silva, Leonardus Vergutz e os filhos Davi e Gustavo assistiram à partida vestindo a camisa da Seleção, mas carregando uma história de vida marcada pela busca por segurança e tranquilidade.
A mudança para o país africano aconteceu no fim de 2019, quando Leonardus, engenheiro agrônomo especializado em fertilizantes, recebeu uma oportunidade para atuar como professor e pesquisador na Universidade Politécnica Mohammed VI (UM6P). O que inicialmente seria um período sabático de um ou dois anos acabou se transformando em um projeto de vida mais longo para toda a família.
O trauma que motivou a mudança
Antes de deixar o Brasil, Teresa e Leonardus viviam em Viçosa, Minas Gerais, onde ambos atuavam como professores universitários. Porém, uma experiência traumática mudou a forma como enxergavam o futuro.
O casal foi vítima de um assalto à mão armada justamente quando se preparava para sair com o filho mais velho, que já estava acomodado na cadeirinha do carro.
Segundo Teresa, o momento foi extremamente difícil e despertou o desejo de buscar uma experiência fora do país, em um lugar onde pudessem viver com mais tranquilidade.
Adaptação nem sempre foi fácil
A chegada ao Marrocos não foi marcada por encantamento imediato. Teresa admite que, nos primeiros meses, enfrentou dificuldades para se adaptar ao novo ambiente.
Ela conta que estranhava a paisagem árida, a predominância dos tons terrosos e as diferenças culturais. No entanto, com o passar do tempo, aprendeu a apreciar o país e passou a valorizar principalmente a sensação de segurança.
Hoje, situações simples do cotidiano, como conversar com desconhecidos ou parar o carro em um sinal de trânsito sem receio, representam uma liberdade que ela afirma não sentir há muitos anos.
“Aqui eu não tenho medo de parar no sinal e ser assaltada, de alguém aparecer com uma arma”, relata.

Segurança é o principal diferencial
Marraquexe, onde a família vive, é uma das cidades mais importantes do Marrocos e possui mais de um milhão de habitantes. Apesar das diferenças econômicas e sociais em relação ao Brasil, Teresa afirma que a sensação de segurança é constante.
Ela destaca que o país possui desafios, incluindo questões ligadas ao machismo e às desigualdades sociais, mas acredita que a tranquilidade nas ruas compensa muitos desses obstáculos.
Segundo dados citados na reportagem, o Marrocos apresenta índices de criminalidade considerados moderados e um nível elevado de segurança para pessoas que caminham sozinhas pelas ruas.
Novas oportunidades profissionais
A mudança também trouxe novas oportunidades para a família.
Após deixar a universidade, Leonardus passou a ocupar um cargo de direção na OCP, empresa marroquina considerada a maior produtora e exportadora mundial de fosfato e fertilizantes fosfatados.
Teresa, por sua vez, iniciou uma trajetória como empreendedora. Desde 2022, trabalha na intermediação de importações de commodities brasileiras para o mercado africano, atuando principalmente com café, além de outros produtos como carne e pimenta-do-reino.
Ela destaca que ser mulher empreendedora no país ainda representa um desafio, mas afirma que conseguiu construir seu espaço profissional.
Filhos adaptados e uma família mais unida
Os filhos do casal estudam em uma escola internacional americana, o que proporcionou fluência em inglês e ampliou as oportunidades educacionais.
Ao mesmo tempo, a experiência de viver longe dos familiares acabou fortalecendo os laços dentro de casa.
Segundo Teresa, a convivência intensa trouxe desafios, mas também ajudou a unir ainda mais a família.
Apesar da distância, eles mantêm uma forte ligação com o Brasil, passando entre dois e dois meses e meio por ano em Minas Gerais.
Saudade do Brasil, mas com prazo definido
Mesmo satisfeita com a experiência no Marrocos, Teresa acredita que a mudança não será definitiva.
Para ela, a permanência da família no país africano ainda deve durar apenas mais alguns anos.
Enquanto isso, segue levando um pedacinho de Minas Gerais na bagagem a cada viagem de volta: o tradicional polvilho para preparar pão de queijo, uma forma de manter vivas as raízes brasileiras mesmo a milhares de quilômetros de distância.
Entre desafios, aprendizados e novas oportunidades, a história da família mostra como a busca por segurança e qualidade de vida pode transformar completamente os rumos de uma vida.
Fonte: Portal G1
Discussão