Itália suspende acordo de Schengen com Espanha após crise migratória em Ceuta
A Itália anunciou a suspensão da aplicação do Acordo de Schengen com a Espanha, interrompendo temporariamente a livre circulação entre os dois países. A decisão foi confirmada pelo Ministério do Interior italiano e acontece em meio ao agravamento da crise migratória em Ceuta, enclave espanhol localizado no norte da África.
Segundo o governo italiano, a medida foi motivada pelo aumento da chegada de migrantes à região de Ceuta, muitos deles vindos de Marrocos. Após entrarem em território espanhol, existe a preocupação de que esses migrantes possam deslocar-se para outros países europeus.
Itália reforça controles fronteiriços
Embora Itália e Espanha não compartilhem uma fronteira terrestre, ambos fazem parte do Espaço Schengen, que normalmente permite a circulação entre os países participantes apenas com um documento de identificação. Em algumas fronteiras terrestres do espaço, como entre Portugal e Espanha, as travessias podem ocorrer sem controles permanentes.
Além da suspensão da livre circulação com a Espanha, o Ministério do Interior italiano informou que estabeleceu um acordo com a França para reforçar a fiscalização na fronteira entre os dois países. A medida acompanha ações já adotadas por Paris, que também intensificou os controles na fronteira franco-espanhola.
Meloni critica política migratória espanhola
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, afirmou que as imagens de milhares de migrantes atravessando o mar em direção a Ceuta provocaram um verdadeiro “choque”. A líder italiana criticou o que classificou como “imigração ilegal descontrolada” e atribuiu parte da responsabilidade à política migratória adotada pelo governo espanhol.
O que é o Acordo de Schengen?
Criado em 1985, o Acordo de Schengen permite a livre circulação de pessoas entre os países que integram o espaço europeu sem controles sistemáticos nas fronteiras internas. Na prática, uma pessoa que entra legalmente em um país participante pode viajar para outros Estados-membros do acordo com muito mais facilidade.
Entretanto, é importante destacar que Ceuta e Melilha não fazem parte do Espaço Schengen. Conforme lembrou o presidente do Conselho Europeu, António Costa, qualquer deslocamento dessas regiões para a Península Ibérica exige obrigatoriamente um controle fronteiriço.
Países já adotam medidas semelhantes
Nos últimos anos, o Espaço Schengen tem enfrentado críticas devido ao aumento dos fluxos migratórios provenientes da África e do Médio Oriente. Em resposta, países como Alemanha e França já reintroduziram controles parciais em determinadas fronteiras, embora a livre circulação continue sendo a regra para a maior parte do bloco.
Agora, a suspensão anunciada pela Itália representa uma medida mais ampla nas ligações com a Espanha e poderá influenciar outros governos europeus. Países como Suécia, Finlândia e Chéquia já sinalizaram que defendem ações semelhantes caso a pressão migratória continue aumentando.
Cenário segue em evolução
Ainda não há previsão para que a Itália volte a aplicar integralmente o regime de livre circulação com a Espanha. Enquanto isso, a União Europeia acompanha o desenrolar da crise migratória e a possibilidade de que outros países adotem medidas semelhantes, o que poderá impactar temporariamente a mobilidade dentro do Espaço Schengen.
Fonte: CNN Portugal
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