Mercadona Contrata Detetive Privado para Vigiar Funcionário, mas Justiça Anula Despedimento

A cadeia de supermercados Mercadona foi condenada pelo Tribunal Superior de Justiça das Astúrias, em Espanha, a readmitir um funcionário que tinha sido despedido com base num relatório elaborado por um detetive privado. A empresa contratou a investigação por suspeitar que o trabalhador não utilizava a redução de horário de trabalho a que tinha direito para cuidar do irmão com 65% de incapacidade.
Apesar da sanção disciplinar aplicada pela empresa, a Justiça espanhola declarou o despedimento nulo, considerando que a medida violou o princípio da proporcionalidade e que as provas recolhidas durante o período de baixa médica não podiam ser utilizadas.
Mapeamento dos Factos e Decisão Judicial
| Parâmetro / Aspeto | Detalhes do Caso |
| Trabalhador | Funcionário da Mercadona desde 2015 |
| Motivo da Redução Horária | Cuidados e supervisão diária de medicação ao irmão (65% de incapacidade) |
| Ação da Empresa | Contratação de detetive privado (vigilância durante 11 dias em junho/julho) |
| Argumento da Mercadona | Quebra da boa-fé contratual e abuso de confiança |
| Decisão do Tribunal | Despedimento Nulo: Obrigação de readmissão e pagamento de salários intercalares |
Incumprimento Pontual Não Justifica Despedimento
A investigação do detetive privado apenas conseguiu demonstrar que o trabalhador não esteve presente com o irmão em dois dos 11 dias em que foi monitorizado. Para o coletivo de juízes, essa falha pontual não teve gravidade nem continuidade suficientes para fundamentar a sanção mais extrema prevista no código do trabalho espanhol:
“A sanção disciplinar deve respeitar rigorosamente o princípio da proporcionalidade. Um incumprimento pontual de dois dias não justifica a aplicação da pena de despedimento disciplinar.” — Sentença do Tribunal Superior de Justiça das Astúrias.
Vigilância Durante a Baixa Médica Considerada Ilegal
O tribunal apontou ainda uma grave irregularidade na conduta da Mercadona ao manter a vigilância do detetive entre 16 e 19 de julho, período em que o trabalhador se encontrava de baixa médica.
Os magistrados sublinharam que, durante a incapacidade temporária para o trabalho, o contrato encontra-se legalmente suspenso, pelo que quaisquer informações ou fotografias recolhidas durante esse intervalo de tempo são nulas e não podem ser invocadas para fundamentar justa causa de despedimento.
Com esta sentença, a Mercadona fica obrigada a reintegrar o trabalhador com o mesmo estatuto e horário de que gozava anteriormente, pagando-lhe a totalidade dos vencimentos que deixou de auferir desde a data do afastamento.
Direitos dos Trabalhadores Cuidador: O direito à conciliação da vida profissional com a assistência a familiares com incapacidade é protegido por leis de trabalho em Espanha e Portugal. Embora as empresas possam fiscalizar potenciais fraudes, a contratação de investigação privada está sujeita a limites estritos de privacidade e proporcionalidade.
Comunidade: O Que Pensa Sobre a Contratação de Detetives por Empresas?
A utilização de meios de vigilância privada no âmbito das relações de trabalho gera frequentes acesos debates sobre privacidade e ética empresarial.
- Concorda com a decisão do tribunal de considerar desproporcional o despedimento por apenas dois dias de ausência detetados?
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