Pedidos de ajuda para voltar ao Brasil crescem mais de 50% em Portugal
Número de brasileiros que procuram programa de retorno voluntário aumentou 52%. Alto custo de vida, dificuldades com emprego, documentação e moradia estão entre os desafios enfrentados por quem decide deixar o país.
O número de brasileiros que procuram ajuda financeira para deixar Portugal e retornar ao Brasil está crescendo. Dados da Organização Internacional para Migrações (OIM), entidade ligada à ONU, mostram um aumento superior a 50% na procura pelo programa de retorno voluntário.
A iniciativa é destinada principalmente a imigrantes que enfrentam dificuldades financeiras e não possuem condições de custear a própria viagem de volta ao país de origem.
Como funciona o programa de retorno voluntário?
O programa chama-se Apoio ao Retorno Voluntário e à Reintegração e atende pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica.
O benefício pode ser solicitado independentemente da região de Portugal onde a pessoa vive e também não depende de o imigrante estar ou não com a situação migratória regularizada.
O que tem chamado atenção recentemente é o crescimento expressivo da participação de brasileiros.
Nos primeiros sete meses deste ano, a quantidade de pessoas que solicitaram o apoio aumentou mais de 50% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Para muitos imigrantes que chegaram ao país em busca de melhores oportunidades, o chamado “sonho português” tem dado lugar às dificuldades financeiras e à decisão de retornar ao Brasil.
470 brasileiros pediram ajuda até julho de 2026
No formato atual, o programa começou em 2024 e, desde então, a procura vem crescendo.
Durante todo o ano de 2024, 432 brasileiros se inscreveram solicitando apoio para retornar ao país.
Esse número já foi superado somente nos primeiros sete meses de 2026.
Até julho de 2026, foram registrados 470 pedidos de brasileiros.
Os dados também mostram uma mudança importante na média mensal de solicitações. Em 2025, a Organização Internacional para Migrações registrou uma média de 44 pedidos de brasileiros por mês.
Neste ano, a média mensal chegou a 67 pedidos, representando um crescimento de aproximadamente 52%.
Brasileiros representam 80% dos pedidos
O programa também recebe solicitações de cidadãos de outros países, entre eles Venezuela, Sri Lanka e Moçambique. Mesmo assim, os brasileiros representam a grande maioria dos atendimentos.
Atualmente, os brasileiros são a maior comunidade estrangeira em Portugal e correspondem a cerca de 30% do total de imigrantes no país.
Quando são considerados os pedidos de retorno voluntário, porém, essa participação é ainda maior: 80% das solicitações são feitas por brasileiros.
Outro dado que chama atenção envolve as crianças.
Quase todas as crianças que participam do programa são brasileiras. No ano passado, 85 crianças retornaram ao Brasil por meio desse apoio oficial, mostrando que, em muitos casos, não são apenas indivíduos, mas famílias inteiras que decidem encerrar a experiência de viver em Portugal.
O que o programa oferece?
O apoio ao retorno inclui a compra da passagem aérea para o país de origem e uma ajuda de custo de 70 euros destinada às despesas durante a viagem.
A passagem e o dinheiro são entregues pessoalmente, no dia da viagem, por um funcionário responsável pelo programa.
Entretanto, nem todas as pessoas que fazem a inscrição chegam efetivamente a retornar ao Brasil.
A taxa de concretização costuma ficar em torno de metade do total de inscritos.
Nem todos os inscritos conseguem ou decidem retornar
A OIM não detalha individualmente os processos, mas existem alguns pontos importantes que podem dificultar a conclusão do pedido.
Um deles é a necessidade de comprovar a situação de vulnerabilidade econômica. O interessado precisa demonstrar que não possui condições financeiras de retornar ao país por conta própria.
Há ainda uma consequência importante para quem utiliza o programa.
Quem recebe o apoio fica impedido durante três anos de entrar em Portugal e também nos demais países que fazem parte do Espaço Schengen, área de livre circulação formada por 29 países europeus.
Esse fator pode pesar bastante na decisão.
Em alguns casos, o sonho de permanecer em Portugal acaba sendo substituído pelo desejo de tentar a vida em outro país europeu. Por isso, algumas pessoas preferem esperar, economizar e se reorganizar financeiramente para deixar Portugal utilizando recursos próprios, mantendo assim a possibilidade de seguir para outro destino na Europa.
Alto custo de vida e dificuldades pesam na decisão
Os relatos de brasileiros decepcionados com a experiência de viver em Portugal têm se tornado mais frequentes e envolvem diferentes perfis de imigrantes.
Há pessoas que chegaram ao país de forma irregular e encontraram dificuldades para conseguir emprego e regularizar a documentação.
Por outro lado, também existem brasileiros que chegaram com visto e até mesmo com emprego garantido, mas encontraram uma realidade financeira diferente daquela que imaginavam.
O alto custo de vida, especialmente relacionado à moradia, pode comprometer uma parcela significativa da renda e tornar difícil a permanência no país.
Diante dessas dificuldades, alguns brasileiros acabam concluindo que retornar ao Brasil é a alternativa mais viável.
O crescimento dos pedidos de retorno voluntário mostra uma realidade que nem sempre aparece quando se fala sobre imigração: para uma parcela dos brasileiros, construir uma nova vida em Portugal pode se tornar financeiramente insustentável, levando indivíduos e famílias a reconsiderarem seus planos e optarem pelo caminho de volta.
Fonte: terra.com.br
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