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Polícia impede manifestações de apoiadores de Lula e Flávio Bolsonaro durante votação em Lisboa

Por Amigos em Coimbra
04/10/2026 às 13:28
Polícia impede manifestações de apoiadores de Lula e Flávio Bolsonaro durante votação em Lisboa

PSP dispersa grupos próximos à Universidade de Lisboa e determina que manifestações políticas não ocorram nas proximidades dos locais onde estão instaladas as urnas eletrônicas.

Neste domingo, 4 de outubro, a Polícia de Segurança Pública (PSP) impediu apoiadores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), candidatos à Presidência do Brasil, de realizarem manifestações em grupos em frente à Universidade de Lisboa, onde ocorre a votação das eleições brasileiras.

De acordo com o PÚBLICO Brasil, agentes estão dispersando grupos que tentam entoar cantos ou palavras de ordem em apoio aos candidatos.

“Aqui, não”, dizem os policiais aos grupos que tentam se manifestar.

Segundo os agentes, a legislação brasileira não permite esse tipo de manifestação coletiva a menos de 100 metros dos locais onde estão instaladas as urnas eletrônicas.

Grupos com mais de três pessoas são dispersados

A orientação da PSP é dispersar grupos com mais de três pessoas para evitar possíveis problemas nas proximidades dos locais de votação.

De acordo com um dos policiais ouvidos pela reportagem, algumas tentativas de manifestação estavam ocorrendo a apenas 30 ou 40 metros das urnas.

“Estamos cumprindo o que diz a lei”, afirmou o agente.

Com a atuação policial, a PSP considera que os riscos de confrontos entre apoiadores dos dois candidatos são reduzidos. Mesmo assim, provocações individuais foram registradas.

Em um dos episódios relatados, um apoiador de Flávio Bolsonaro gritou “Lula é ladrão” para uma eleitora petista. Ela respondeu fazendo referência à situação de Jair Bolsonaro, citado pela reportagem como estando em prisão domiciliar após condenação a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

Segurança reforçada na Universidade de Lisboa

Para acompanhar a votação, a PSP mobilizou agentes das Equipes de Intervenção Rápida (EIR), especializadas na atuação diante de situações de violência e desordem urbana.

Dezenas de policiais foram distribuídos pelos três prédios da Universidade de Lisboa onde estão instaladas urnas eletrônicas: Faculdade de Direito, Faculdade de Letras e Reitoria.

O reforço policial ocorre em um cenário marcado pela forte polarização entre eleitores de Lula e Flávio Bolsonaro.

Jovem vota pela primeira vez e relata mudança política

Entre os brasileiros que compareceram às urnas está Jhony Justino, amazonense de 18 anos, que votou pela primeira vez neste domingo.

Ele afirmou ter escolhido Lula, apesar de dizer que o candidato petista não era sua primeira preferência.

Jhony também contou que, nas eleições de 2022, chegou a participar de manifestações ao lado de familiares em defesa do bolsonarismo. Segundo ele, sua posição política mudou à medida que cresceu, estudou e passou a compreender melhor suas próprias opiniões.

Atualmente, afirma defender governos progressistas e políticas direcionadas à população mais pobre.

Eleitores explicam apoio a Lula

Gleice Carvalho, de 61 anos, também declarou voto em Lula. Ela contou que trabalhava como empregada doméstica quando vivia no Brasil e atribuiu parte de sua ascensão social às políticas adotadas durante governos petistas.

Segundo Gleice, suas três filhas conseguiram cursar o ensino superior e hoje são advogada, psicóloga e médica.

Natural de Belo Horizonte, atualmente ela possui três empresas em Portugal, atuando nos setores de limpeza, cuidados de idosos e transporte por aplicativos.

Outra eleitora, Juliana Leite, de 24 anos, disse que sua fé cristã também influenciou sua decisão de votar em Lula.

Ela criticou a utilização da religião pela família Bolsonaro na política e afirmou acreditar que valores cristãos devem estar associados à paz, ao amor ao próximo e ao combate à discriminação.

Eleitores de Flávio Bolsonaro defendem políticas liberais

Entre os apoiadores de Flávio Bolsonaro está Denis Rocha, de 45 anos, natural de Coronel Fabriciano e residente em Portugal há 20 anos.

Denis afirmou que escolheu o candidato por se identificar com políticas econômicas liberais.

Na avaliação dele, o governo deve interferir na economia apenas quando for necessário corrigir problemas, deixando a iniciativa privada funcionar livremente na maior parte das situações.

Ele também afirmou ser contrário à ideia de um Estado religioso.

Mudanças no STF estão entre as preocupações

Adriana Sousa, de 35 anos, também declarou voto em Flávio Bolsonaro. Segundo ela, um dos principais motivos é a defesa de mudanças nas regras relacionadas aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Adriana considera necessário estabelecer mandatos para os integrantes da Corte.

Ela também demonstrou preocupação com a relação econômica entre Brasil e China e defendeu maior proteção das riquezas brasileiras, principalmente das reservas de minerais críticos utilizados pela indústria tecnológica.

Segurança pública também influencia voto

Luiz Carlos Moreira, paulista de 55 anos, afirmou enxergar a eleição de Flávio Bolsonaro como uma possibilidade de mudança para o Brasil.

Entre suas principais preocupações está a segurança pública. Moreira comparou a realidade brasileira com a de Portugal e disse considerar necessário combater de forma mais efetiva a violência no Brasil.

Ele também apontou a educação básica como uma área que precisa de melhorias e afirmou acreditar que melhores oportunidades podem permitir que famílias atualmente atendidas por programas sociais consigam aumentar sua independência financeira.

A votação em Lisboa acontece, portanto, em um ambiente de forte mobilização política entre brasileiros que vivem em Portugal. Enquanto eleitores defendem diferentes projetos para o Brasil, a PSP mantém policiamento reforçado e restringe manifestações coletivas próximas às urnas para evitar confrontos e garantir a tranquilidade durante a votação.

Fonte: PÚBLICO Brasil / Vicente Nunes
Publicado originalmente em 4 de outubro de 2026.

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