
O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE) passa a valer de forma provisória a partir desta sexta-feira (1º). A medida marca um passo importante após décadas de negociações e abre caminho para a aplicação gradual das regras comerciais entre os países dos dois blocos.
O decreto que promulga o tratado foi assinado nesta semana pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), concluindo a etapa interna brasileira para a incorporação do acordo ao sistema jurídico do país. Com isso, tanto o Brasil quanto a União Europeia iniciam a implementação provisória do tratado já a partir de agora.
O que muda na prática
Com a entrada em vigor provisória, o acordo permite que as regras comecem a ser aplicadas de forma gradual. A expectativa é que exportadores sejam os primeiros a sentir os efeitos positivos, especialmente com a redução de tarifas ao longo do tempo.
Mesmo cercado por debates e críticas dentro da Europa, defensores do tratado acreditam que ele pode trazer benefícios econômicos relevantes, principalmente ao ampliar o comércio entre os blocos.
Divergências entre países europeus
O acordo, no entanto, não é consenso dentro da União Europeia. Países como Alemanha e Espanha apoiam a iniciativa, destacando que ela pode ajudar a compensar os impactos das tarifas impostas pelos Estados Unidos e reduzir a dependência de minerais essenciais vindos da China.
Por outro lado, nações como a França levantam preocupações. Entre os principais pontos de crítica estão o aumento das importações de produtos como carne bovina e açúcar, o que poderia prejudicar produtores locais. Ambientalistas também alertam para possíveis impactos negativos nas florestas tropicais.
Impacto econômico deve ser limitado
Especialistas avaliam que os ganhos econômicos do acordo, embora positivos, devem ser modestos. A própria Comissão Europeia estima um aumento de apenas 0,05% no PIB do bloco até 2040.

Além disso, o tratado ainda precisa da aprovação do Parlamento Europeu, que já havia sinalizado resistência e pode levar até dois anos para tomar uma decisão definitiva. Mesmo assim, a Comissão Europeia optou por iniciar sua aplicação provisória.
Pressão global acelera acordos comerciais
A reeleição do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e suas políticas tarifárias impulsionaram uma corrida por novos acordos comerciais. A União Europeia tem acelerado negociações com países como Índia, Indonésia, Austrália e México.
O objetivo é reduzir perdas nas exportações para os Estados Unidos, que podem cair mais de 15%, além de minimizar impactos no crescimento econômico.
O papel da China no cenário global
Outro fator importante é o avanço da China no comércio internacional. Empresas europeias enfrentam concorrência crescente em diversos mercados, especialmente na Ásia e na África, onde os chineses vêm ampliando sua presença há anos.
Além das tarifas, a estratégia chinesa envolve investimentos e liderança na transição energética, o que aumenta ainda mais a competitividade do país.
Desafios e expectativas
Apesar das oportunidades, especialistas apontam que os novos acordos dificilmente substituirão a importância econômica dos Estados Unidos no curto prazo. Além disso, os benefícios completos do acordo com o Mercosul só devem ser percebidos ao longo da próxima década, quando todas as medidas estiverem plenamente implementadas.
Ainda assim, defensores do tratado apostam que seus efeitos positivos começarão a aparecer rapidamente, fortalecendo o apoio político necessário para sua aprovação definitiva no futuro.
Fonte: Portal G1
