
A Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP) vai avançar com uma greve geral marcada para o dia 3 de Junho, em protesto contra a proposta de reforma da legislação laboral apresentada pelo Governo de Luís Montenegro. A data foi definida numa reunião do conselho nacional da central sindical e deverá ser oficialmente anunciada pelo secretário-geral, Tiago Oliveira, no final das celebrações do 1º de Maio, em Lisboa.
Decisão já tomada, apesar de divergências internas
Segundo fontes da CGTP, a escolha da data foi confirmada durante a reunião desta semana, embora não tenha sido consensual. Um grupo de sindicalistas defendeu que o anúncio deveria referir apenas o mês de Junho, deixando a definição do dia para depois da reunião da Comissão Permanente de Concertação Social (CPCS), marcada para 7 de Maio. A proposta, no entanto, não foi aprovada pela maioria.
Tiago Oliveira preferiu não antecipar detalhes antes do anúncio oficial, mas deixou claro que todas as formas de luta estão em cima da mesa, incluindo a greve geral. O dirigente destacou ainda que, ao longo dos últimos meses, os trabalhadores têm demonstrado estar informados e disponíveis para contestar as medidas propostas.
UGT admite adesão, mas aguarda reunião decisiva
A União Geral de Trabalhadores (UGT) não descarta juntar-se à paralisação, mas a decisão ainda não está fechada. O secretário-geral da UGT, Mário Mourão, afirmou que o tema será avaliado após a reunião da CPCS.
Apesar de confirmar contactos com a CGTP, Mourão reforçou que ainda é cedo para assumir uma posição definitiva. Segundo ele, caso não haja acordo com o Governo e as entidades patronais, a UGT irá discutir com os seus sindicatos quais serão as formas de luta a adotar — incluindo, eventualmente, a adesão à greve geral.
Se houver convergência entre as duas centrais sindicais, esta poderá ser a segunda greve geral enfrentada pelo Governo de Luís Montenegro em menos de seis meses, após a paralisação ocorrida a 11 de Dezembro.
Governo reage com cautela
O tema também foi abordado no debate quinzenal com o primeiro-ministro. Luís Montenegro afirmou que acompanha a situação com tranquilidade e reforçou que o direito à greve é legítimo.

Ao mesmo tempo, o chefe do Governo relativizou os impactos da última greve geral e reiterou o objetivo de tornar o país “mais rico e mais justo”. Montenegro voltou ainda a defender a revisão da legislação laboral, citando um ranking internacional — não especificado — em que Portugal aparece entre os países com maior rigidez nesta área.
O que esperar dos próximos dias
A confirmação oficial da greve geral deverá acontecer no 1º de Maio, enquanto a posição da UGT dependerá do desfecho da reunião da concertação social no dia 7 de Maio. Até lá, o cenário permanece em aberto, mas com fortes indícios de uma mobilização nacional significativa no início de Junho.
Fonte: publico.pt
