
A paixão pelos cromos continua viva, mas completar a coleção pode pesar bastante no bolso
Todos os anos em que acontecem grandes competições internacionais de futebol, existe um ritual que atravessa gerações: a corrida para completar a famosa caderneta de cromos. Antes mesmo da bola começar a rolar, amigos organizam trocas, colecionadores se reúnem e milhares de pessoas entram na missão de preencher cada espaço vazio.
Hoje, esse fenômeno ultrapassou o mundo físico e ganhou força também na internet. Vídeos de abertura de saquetas, desafios para completar coleções e canais dedicados exclusivamente aos cromos de futebol multiplicam-se em plataformas digitais, mostrando que a paixão continua mais forte do que nunca.
Mas a edição do Campeonato do Mundo de 2026 promete colocar à prova não apenas a paciência dos colecionadores, mas também o orçamento.
Nunca houve tantos cromos
Ao longo das décadas, o número de cromos necessários para completar uma caderneta aumentou significativamente. Em 1970, a primeira coleção oficial do Mundial precisava de apenas 270 cromos.
Com o passar dos anos, esse número cresceu continuamente: foram 597 cromos em 2006, 638 em 2010, 639 em 2014, 682 em 2018 e 670 em 2022. Agora, a coleção de 2026 traz um número recorde: 980 cromos.
A mudança está diretamente ligada ao novo formato da competição, que aumenta o número de seleções participantes de 32 para 48 equipes. Mais seleções significam mais jogadores, mais páginas e, consequentemente, mais gastos.
As saquetas também ficaram mais caras
O aumento não aconteceu apenas na quantidade de cromos. O preço das saquetas também sofreu um crescimento histórico.
Em 2006, cada saqueta custava cerca de 40 cêntimos. Em 2026, o valor chega a 1,50 euros, ultrapassando pela primeira vez a marca de um euro por saqueta — um aumento de 275%.
Apesar disso, existe uma pequena compensação: as saquetas agora trazem sete cromos em vez de cinco.
Afinal, quanto custa completar a coleção?
Num cenário perfeito, sem qualquer cromo repetido, completar a coleção exigiria cerca de 210 euros. Mas, na prática, a realidade é bastante diferente.
Os cromos repetidos tornam a missão muito mais complicada. Um cálculo realizado por Paul Harper, professor de Matemática da Universidade de Cardiff, estima que seriam necessários mais de sete mil cromos para completar a coleção sem realizar trocas. Traduzindo isso para saquetas, o valor chegaria perto dos 1.574 euros.
Por outro lado, a experiência de alguns colecionadores mostra que os resultados podem variar. Um youtuber britânico especializado conseguiu completar toda a coleção sem trocar nenhum cromo, gastando cerca de 603 euros após abrir 402 saquetas.
Mesmo assim, os últimos cromos costumam ser os mais difíceis e caros de encontrar. Em alguns momentos, cada espaço vazio na caderneta acabou representando mais de sete euros em tentativas.
Existe uma alternativa para fugir dos repetidos
Para quem quer evitar abrir dezenas de saquetas sem encontrar o que falta, existe uma solução: encomendar diretamente os cromos em falta à Panini.
A empresa permite solicitar até 250 cromos avulso, embora essa opção fique disponível apenas algum tempo após o lançamento da coleção. Apesar do custo por unidade ser mais elevado, a alternativa pode compensar e evitar desperdícios.
Muito mais do que uma coleção
No fim das contas, completar a caderneta do Mundial continua a representar muito mais do que juntar cromos. É uma tradição que mistura emoção, competição, nostalgia e aquela vontade de preencher o último espaço vazio.
Mas uma coisa parece certa: em 2026, essa nostalgia pode custar praticamente o preço de uma verdadeira transferência milionária do futebol.
Fonte: SIC Notícias
