Brasileiros se assustam com aluguel de quarto em Portugal por mais de R$ 5 mil
Estudantes brasileiros relatam preocupação com os altos preços dos quartos, principalmente em Lisboa
O início do ano letivo em Portugal está trazendo um desafio importante para estudantes brasileiros que se preparam para viver no país: encontrar um lugar para morar por um preço acessível.
Antes mesmo de desembarcarem, muitos já se assustam com os valores cobrados pelo aluguel de quartos individuais em imóveis compartilhados.
Em uma página de anúncios, uma busca sem filtros e ordenada por relevância chegou a apresentar um quarto por € 910, aproximadamente R$ 5,5 mil. Entre as opções mais caras, os preços podem chegar a cerca de € 1,8 mil, aproximadamente R$ 10 mil.
O valor chama ainda mais atenção quando comparado ao salário mínimo de € 920 mencionado no levantamento.
Doutoranda pagou € 900 antes mesmo de chegar a Portugal
A alta dos preços também preocupa estudantes que chegam ao país para realizar doutorado com bolsa de estudos.
Esse é o caso de Marly Cruz, que fará doutorado em literatura feminista. Ela contou que precisou desembolsar € 900, cerca de R$ 5,4 mil, ainda à distância, para conseguir um comprovante de residência.
Desse total, € 600 (R$ 3,6 mil) correspondem ao valor do quarto e outros € 300 (R$ 1,8 mil) foram cobrados como caução.
Segundo Marly, a decisão de alugar antes de conhecer pessoalmente o imóvel ocorreu após uma orientação da empresa terceirizada de vistos VFS. A recomendação teria sido anexar um contrato de aluguel para facilitar a aprovação do pedido.
Inicialmente, a brasileira havia alugado um apartamento de temporada por apenas cinco dias, período em que pretendia procurar pessoalmente um quarto definitivo.
Marly afirmou considerar os preços elevados e as opções pouco confortáveis. Como fará seu doutorado em Lisboa, ela contará com um auxílio de € 400 (R$ 2,4 mil) vinculado à bolsa do Ministério da Educação.
Mesmo assim, chegou a considerar morar fora da capital, procurando alternativas em diferentes bairros e até em municípios como Setúbal, onde acreditava que poderia encontrar quartos com mais facilidade.
Outro quarto em Lisboa custou mais de € 1,1 mil entre aluguel e caução
A estudante Tainá, que fará doutorado com especialidade em tecnologia de estradas, também relatou surpresa com os preços.
Ela conseguiu um quarto em Lisboa por € 600 (R$ 3,6 mil), além de uma caução de € 555 (R$ 3,3 mil). O desembolso inicial chegou, portanto, a € 1.155, aproximadamente R$ 7 mil.
Além dos valores elevados dos quartos, Tainá chamou atenção para a existência de taxas cobradas por alguns sites utilizados para fazer o aluguel.
“O valor dos quartos é o que se pagava por apartamentos inteiros”
A percepção de que os preços aumentaram também é compartilhada por quem já passou pela experiência de estudar e morar em Portugal.
Juliana Ventura, que terminou o doutorado em genética e melhoramentos de plantas e retornou ao Brasil, contou que deixou um quarto em Lisboa que custava € 530 há um ano e que o imóvel teve um aumento de € 100.
Segundo Juliana, mesmo doutorandos, que possuem uma realidade diferente de muitos brasileiros que chegam a Portugal em busca de novas oportunidades, consideram os preços dos quartos elevados.
Para ela, os valores atualmente cobrados por quartos se aproximam do que, há poucos anos, era possível pagar por apartamentos inteiros.
Moradia se torna um dos grandes desafios para quem chega a Portugal
Os relatos mostram como encontrar uma moradia com preço acessível, principalmente em Lisboa, pode representar um desafio até mesmo para brasileiros que chegam ao país com bolsa de doutorado e planejamento financeiro.
Além do aluguel mensal, despesas como caução e eventuais taxas cobradas por plataformas podem aumentar significativamente o valor necessário antes mesmo da mudança.
Diante desse cenário, procurar bairros mais afastados ou até municípios fora de Lisboa aparece como uma alternativa considerada por alguns estudantes.
A situação também reforça uma preocupação que atinge não apenas brasileiros, mas diferentes moradores de Portugal: o peso cada vez maior da habitação no orçamento mensal.
Fonte: O GLOBO – Portugal Giro
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