
Caso aconteceu em uma escola de Cinfães e segue sob investigação das autoridades portuguesas
A espera por respostas no caso do estudante brasileiro José, de apenas 10 anos, ganhou um novo capítulo em Portugal. Seis meses após sofrer a mutilação de dois dedos em uma escola de Cinfães, no Centro de Portugal, o menino será finalmente ouvido pelo Ministério Público (MP). A audiência foi marcada para o dia 21 de maio, às 14h30, em Santa Maria da Feira, cidade onde a família reside atualmente.
O caso aconteceu em 10 de novembro do ano passado e causou grande repercussão. Segundo relato da mãe do garoto, Nívia Estevam, colegas da Escola Básica de Fonte Coberta prenderam a mão esquerda de José na porta do banheiro da escola. O acidente resultou na mutilação de dois dedos da criança. Antes do ocorrido, a mãe afirma que já havia alertado o Agrupamento de Escolas de Souselo sobre episódios repetidos de agressões sofridas pelo filho dentro do ambiente escolar.
Nívia contou que, pouco depois de deixar José na escola, recebeu uma ligação informando que o menino teria sofrido “um pequeno acidente”. Ao chegar ao local, encontrou o filho com a mão enfaixada e cheia de sangue. A gravidade da situação ficou evidente imediatamente. José foi encaminhado ao Hospital de São João, no Porto, onde passou por uma cirurgia de três horas. No entanto, os médicos não conseguiram reimplantar as partes amputadas dos dedos porque, segundo a família, os pedaços teriam sido descartados por funcionários da escola durante a limpeza do local.
O depoimento de José será o primeiro desde o episódio de violência. A defesa da família decidiu concentrar as declarações do menino diretamente ao Ministério Público, evitando que ele precisasse reviver repetidamente o trauma físico e emocional causado pelo caso. O testemunho da criança é considerado fundamental para a conclusão do inquérito aberto pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação de Portugal.
A família afirma que o processo está demorando mais do que o esperado e que isso tem causado ainda mais desgaste emocional. Procurado pela imprensa, o Ministério Público não explicou por que o menino só foi convocado para prestar depoimento seis meses após o ocorrido. O governo brasileiro também acompanha o caso e orientou a Embaixada do Brasil em Portugal a dar suporte à família e monitorar as investigações. A preocupação com o caso foi levada ao ministro da Educação de Portugal pelo embaixador brasileiro Raimundo Carreiro.
Fonte: publico.pt
