Fenprof: Dois Terços das Escolas Afetadas por Falta de Professores e Mais de 110 Mil Alunos Sem Docentes

No arranque do ano letivo de 2026/2027, um inquérito divulgado esta segunda-feira, 14 de setembro de 2026, pela Federação Nacional dos Professores (Fenprof) veio expor a profundidade das carências no setor educativo português. Segundo os dados apresentados em conferência de imprensa na Escola EB1 de Monte Abraão (Sintra), 63,7% das escolas inquiridas afirmam ter sido afetadas pela falta de professores no último ano letivo.
O estudo — que recolheu respostas das direções de cerca de 29,2% dos agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas nas primeiras duas semanas de setembro — indica ainda que um terço dos diretores prevê novas dificuldades ao longo do atual período letivo, enquanto quase 60% admitem não conseguir fazer previsões, adensando o clima de incerteza.
Mapeamento dos Principais Dados do Inquérito da Fenprof
| Dimensão Crítica | Conclusões e Indicadores do Estudo |
| Escolas Afetadas | 63,7% sentiram o impacto da falta de docência (apenas 36,2% relatam não ter tido problemas). |
| Principais Consequências | Turmas temporariamente sem atividades letivas (42,5%), afetação de grupos de recrutamento (40%) e sobrecarga horária dos docentes (38%). |
| Alunos Sem Professores | Na semana passada, a estimativa sindical apontava para mais de 110.000 alunos sem o corpo docente completo, destacando-se concelhos como Sintra (744 alunos) e Lisboa (550). |
| Distritos e Grupos Mais Críticos | O problema agravou-se sobretudo nos distritos de Lisboa, Setúbal, Faro, Leiria e Porto, com incidência no 1.º ciclo, Português, Matemática e Educação Especial. |
| Aposentações Previstas | Estima-se que 1.102 professores se aposentem nos meses de setembro e outubro de 2026. |
Problemas Estruturais: Tecnologia, Edifícios e Conforto Térmico
Além da escassez de recursos humanos, o inquérito da Fenprof sublinha que as dificuldades de funcionamento das escolas abrangem graves carências estruturais:
- Transição Digital Obsoleta: 65,8% das escolas consideram os equipamentos informáticos “insuficientes e obsoletos”, e 28,3% assumem que nem sequer estão operacionais.
- Condições Climáticas Extremas: As infraestruturas revelam pouca preparação para o clima, com o frio a ser apontado em 40% das respostas, o calor em 27% e a precipitação em 22%.
- Transportes Escolares: Cerca de 32% dos respondentes identificam falhas graves na adequação da rede de transportes ou dos horários para as deslocações dos alunos.
A Resposta Sindical e Luta à Vista
Diante deste cenário, a Fenprof deixou críticas severas à tutela governamental, acusando o executivo de não resolver os problemas estruturais com anúncios diários. A estrutura sindical garantiu abertura para colaborar caso o Governo queira efetivamente resolver a falta de professores, mas avisou que, em sentido contrário, prosseguirá um caminho de forte contestação, apontando já para uma manifestação nacional na rua a 5 de outubro, Dia Mundial do Professor.
Comunidade: O Estado da Educação
- Como tem visto o arranque deste ano letivo na sua zona? Sente que os problemas estruturais das escolas e a falta de professores estão a afetar diretamente o percurso escolar dos alunos?
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