Jovens em Portugal adiam casamento, filhos e casa própria por dificuldades financeiras
Estudo revela que custo de vida e preço da habitação estão a mudar os planos de uma geração inteira
O sonho de comprar uma casa, casar ou formar uma família está a ser adiado por muitos jovens em Portugal. Segundo o Inquérito Geração Z e Millennial de 2026, realizado pela Deloitte, a situação financeira tem levado milhares de pessoas a colocarem grandes projetos de vida em espera.
De acordo com o estudo, 57% dos portugueses da geração Z e 65% dos millennials afirmam já ter adiado decisões importantes, como ter filhos, casar, abrir um negócio ou continuar os estudos, devido às dificuldades económicas.
O levantamento ouviu 22.595 pessoas em 44 países. Em Portugal, participaram 406 entrevistados, sendo 203 da geração Z (nascidos entre janeiro de 1995 e dezembro de 2007, excluindo menores de 18 anos) e 203 millennials (nascidos entre janeiro de 1983 e dezembro de 1994).
Habitação é a maior preocupação
Pelo quinto ano consecutivo, o custo de vida aparece como a principal preocupação destas gerações. Em Portugal, 51% da geração Z e 50% dos millennials apontam este fator como o maior desafio do momento.
O preço da habitação tem um peso ainda maior nas decisões profissionais e pessoais. Segundo o estudo, 81% dos jovens da geração Z e 78% dos millennials portugueses afirmam que o valor dos imóveis representa um grande obstáculo.
Além disso, 57% dos jovens da geração Z dizem não ter condições de comprar uma casa própria. Entre os millennials, quase metade (46%) relata dificuldades para pagar as despesas mensais.
A influência do mercado imobiliário também afeta a carreira profissional. Globalmente, 69% da geração Z e 64% dos millennials afirmam que as condições de habitação condicionam os locais onde podem trabalhar.
Esperança de dias melhores
Apesar das dificuldades atuais, muitos jovens continuam otimistas. No cenário global, 53% da geração Z e 45% dos millennials acreditam que a sua situação financeira irá melhorar nos próximos 12 meses.
Liderança deixa de ser prioridade imediata
O estudo também mostra uma mudança na forma como os jovens encaram a carreira. Em vez de buscar promoções rápidas, a maioria prefere um crescimento profissional gradual e sustentável.
Cerca de 44% da geração Z e 46% dos millennials afirmam preferir um progresso estável na carreira, enquanto apenas 25% e 21%, respetivamente, desejam uma ascensão acelerada.
Apenas 6% dos participantes de ambas as gerações apontam a conquista de cargos de liderança como prioridade principal. Entre os motivos para essa escolha estão o receio do stress e do burnout, o excesso de responsabilidade e a preocupação em manter um equilíbrio saudável entre vida pessoal e trabalho.
Por outro lado, salários mais elevados, horários flexíveis e uma visão mais clara das oportunidades de crescimento dentro das empresas aparecem como fatores que poderiam incentivar estes profissionais a assumirem posições de liderança no futuro.
Em Portugal, embora 63% da geração Z e 61% dos millennials demonstrem interesse em ocupar cargos de liderança algum dia, apenas 6% e 4%, respetivamente, consideram esse objetivo uma prioridade neste momento.
Entre os principais objetivos profissionais dos portugueses estão manter um bom equilíbrio entre vida pessoal e trabalho, alcançar independência financeira, ter estabilidade, tornar-se especialista na sua área e investir na aprendizagem contínua.
Saúde mental melhora, mas o stress continua presente
Ter um propósito no trabalho continua a ser essencial para estas gerações. Quase todos os entrevistados afirmam que isso é um fator importante para a satisfação profissional.
Os indicadores de saúde mental apresentaram uma melhoria em relação ao ano anterior. Globalmente, 63% da geração Z e 66% dos millennials classificam a sua saúde mental como “boa” ou “extremamente boa”. Em Portugal, estes números são mais baixos, ficando em 57% e 55%, respetivamente.
Mesmo assim, o stress continua a fazer parte do dia a dia. Quase metade dos jovens portugueses admite sentir-se ansiosa ou tensa a maior parte do tempo.
No ambiente de trabalho, os principais fatores de stress apontados pelos jovens em Portugal são os dias excessivamente longos, a falta de reconhecimento ou de compensação adequada e a existência de uma cultura organizacional considerada tóxica.
Apesar disso, a maioria reconhece avanços nas empresas. Cerca de 65% afirmam que os locais onde trabalham passaram a oferecer políticas e apoio voltados para a saúde mental, demonstrando uma evolução significativa nos últimos anos.
Uma geração que espera o momento certo
Os dados mostram que a geração Z e os millennials não abandonaram os seus sonhos. Pelo contrário, muitos continuam a acreditar que poderão realizar projetos como comprar uma casa, formar uma família ou alcançar posições de liderança.
No entanto, a realidade económica e o elevado custo de vida fazem com que essas decisões sejam, cada vez mais, adiadas para um “talvez mais tarde”.
Fonte: publico.pt
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