Número de alunos estrangeiros nas escolas portuguesas quadruplica em 10 anos e desafia sistema de ensino
O número de alunos estrangeiros nas escolas portuguesas cresceu de forma expressiva na última década. Um estudo realizado pela Fundação Belmiro de Azevedo, por meio do projeto Edulog, revela que a presença de estudantes de outras nacionalidades quadruplicou nos últimos 10 anos e deve continuar aumentando nos próximos anos.
Segundo o levantamento, um em cada sete alunos das escolas públicas portuguesas no ano letivo de 2023/2024 possui nacionalidade estrangeira. O estudo mostra que o sistema educativo do país vive uma transformação importante, impulsionada pelo aumento da imigração e pela chegada de milhares de famílias ao território português.
Crescimento acelerado de alunos estrangeiros
Em apenas dez anos, o número de estudantes estrangeiros aumentou 283%. Somente no 1º ciclo do ensino básico, cerca de 22 mil novos alunos estrangeiros passaram a ingressar nas escolas portuguesas a cada ano letivo.
As projeções apresentadas pelo Edulog indicam que essa tendência deve continuar. Entre o próximo ano letivo e 2030/2031, a expectativa é de que entre 14 mil e 22 mil crianças estrangeiras ingressem anualmente no 1º ciclo.
Esse crescimento reforça a necessidade de adaptação das escolas, tanto em estrutura quanto em recursos pedagógicos, para garantir uma integração adequada dos novos alunos.
Desafios na integração e no ensino da língua portuguesa
Um dos principais problemas apontados pelo estudo está relacionado ao ensino do português como língua não materna. Apesar do aumento constante de estudantes estrangeiros, a disciplina não acompanha a demanda.
Apenas 19% dos alunos estrangeiros do ensino básico frequentaram essa disciplina. No ensino secundário, o percentual foi ainda menor, chegando a apenas 14%.
Os dados também mostram que as taxas de retenção entre estudantes estrangeiros são de três a cinco vezes superiores às dos alunos portugueses. Além disso, mais de 80% dos alunos estrangeiros não realizaram as provas finais do 9º ano de português e matemática.
Ensino superior também enfrenta desafios
O estudo do Edulog também analisou a formação dos jovens portugueses. Entre os jovens de 23 a 27 anos, 43% possuem ensino superior completo. Já entre os jovens de 18 a 20 anos, metade estava matriculada em universidades.
Apesar desses números, o concurso nacional de acesso ao ensino superior registrou, pela primeira vez, vagas que não foram totalmente preenchidas devido à falta de candidatos suficientes.
Desigualdade preocupa especialistas
Para a Fundação Belmiro de Azevedo, o principal desafio identificado pelo estudo é a desigualdade. O crescimento do número de alunos estrangeiros representa uma mudança significativa no sistema educativo português e exige medidas que garantam melhores condições às escolas.
O estudo destaca a importância de reforçar políticas de integração, ampliar o ensino da língua portuguesa e oferecer apoio adequado aos estudantes, de forma a reduzir as diferenças de desempenho e promover uma educação mais inclusiva para todos.
Fonte: SIC Notícias
Discussão