Portugal lidera consumo diário de álcool na União Europeia e médicos pedem respostas mais rápidas
Portugal é o país da União Europeia com a maior proporção de pessoas que consomem álcool diariamente. Segundo dados do Eurostat, 16% da população portuguesa afirma consumir bebidas alcoólicas todos os dias, um percentual três vezes superior à média europeia.
Diante dos números, a Associação de Médicos de Saúde Pública alerta para a necessidade de reconhecer a dimensão do problema e defende respostas mais rápidas no tratamento de pessoas com problemas relacionados ao consumo de álcool.
Portugal aparece no topo do ranking
Os dados divulgados pelo Jornal de Notícias, com base nas informações do Eurostat, colocam Portugal na liderança do consumo diário de álcool, com 16%.
A diferença para os outros países é significativa. A Itália aparece em segundo lugar, com 7,9%, enquanto Bélgica e Dinamarca registram 7,5%.
No outro extremo está a Lituânia, onde apenas 0,4% da população afirma consumir álcool diariamente. Polônia e Turquia aparecem com 0,5%.
Médicos alertam para demora no tratamento
Em declarações à TSF, Bernardo Gomes, presidente da Associação de Médicos de Saúde Pública, afirmou que é necessário reconhecer o problema e reforçar as medidas existentes, principalmente no atendimento médico às pessoas que enfrentam problemas com o alcoolismo.
Segundo ele, ainda existem tempos de espera considerados excessivamente longos para quem precisa de tratamento.
O médico destacou positivamente a reabertura da Unidade de Alcoologia de Lisboa e uma postura mais proativa da nova direção do ICAD, em Matosinhos.
Para Bernardo Gomes, a dimensão do problema exige medidas concretas.
“Este é um elefante na sala demasiado grande para não fazer alguma coisa”, afirmou.
Homens bebem mais e consumo aumenta com a idade
Os dados também revelam diferenças importantes relacionadas ao sexo e à idade. Em Portugal, os homens consomem álcool três vezes mais do que as mulheres, enquanto as pessoas mais velhas apresentam um consumo superior ao observado entre os jovens.
Bernardo Gomes considera que essa diferença entre gerações está relacionada principalmente a fatores culturais.
Segundo ele, as pessoas mais velhas passaram por um processo cultural diferente daquele vivido pelas gerações mais novas, o que pode ajudar a explicar os diferentes padrões de consumo.
Que medidas podem ser adotadas?
Entre as sugestões apresentadas pela Associação de Médicos de Saúde Pública estão medidas relacionadas ao controle dos preços das bebidas alcoólicas, à venda de álcool em postos de combustível e à ampliação do acesso a rastreios e cuidados médicos.
A entidade considera importante não apenas atuar na prevenção, mas também garantir que as pessoas que necessitam de acompanhamento consigam ter acesso mais rápido aos serviços de saúde.
Quase 5% da população da UE consumia álcool diariamente em 2025
Os números do Eurostat mostram que, em 2025, 4,8% das pessoas com 16 anos ou mais na União Europeia consumiam álcool diariamente.
Outros 19,2% consumiam bebidas alcoólicas semanalmente e 21,8% mensalmente.
Por outro lado, 20,7% da população da União Europeia consumia álcool menos de uma vez por mês. Já 33,5% nunca havia consumido álcool ou não tinha consumido durante 2025.
Consumo é mais frequente entre os homens
Considerando o consumo de álcool pelo menos uma vez por mês, a diferença entre homens e mulheres também é expressiva.
Segundo o Eurostat, 56,5% dos homens consumiam álcool pelo menos mensalmente, enquanto entre as mulheres o percentual era de 35,9%.
A idade também aparece como um fator importante. O consumo diário era de apenas 0,8% entre os jovens de 16 a 24 anos, mas chegava a 8,9% entre as pessoas com 65 anos ou mais.
Os dados mostram, portanto, que a frequência do consumo diário tende a aumentar significativamente com a idade.
Situação econômica também influencia os números
O Eurostat identificou ainda uma relação entre o consumo de álcool e o risco de pobreza ou exclusão social.
As pessoas que estavam nessa situação apresentavam menor probabilidade de consumir bebidas alcoólicas do que aquelas que não estavam em risco.
Entre as pessoas em risco de pobreza ou exclusão social, 47,5% nunca haviam consumido álcool ou não tinham consumido durante o ano anterior. Entre aqueles que não estavam nessa situação, o percentual era de 29,9%.
Dados reforçam alerta para Portugal
A liderança de Portugal no consumo diário de álcool chama a atenção principalmente pela diferença em relação à média da União Europeia.
Para os especialistas em saúde pública, os números reforçam a necessidade de ampliar a prevenção, facilitar o acesso aos cuidados médicos e reduzir os tempos de espera para quem necessita de tratamento.
Além de medidas relacionadas ao acesso e à comercialização de bebidas alcoólicas, o debate também envolve fatores culturais e diferenças de consumo entre homens e mulheres e entre as diferentes faixas etárias.
Os dados mostram que o consumo de álcool continua sendo uma questão relevante de saúde pública em Portugal e na União Europeia, exigindo atenção tanto na prevenção quanto no tratamento das pessoas afetadas.
Fonte: tsf.pt
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