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Professores avançam com três greves em outubro devido à sobrecarga de horários

Por Amigos em Coimbra
03/10/2026 às 15:45
Professores avançam com três greves em outubro devido à sobrecarga de horários

O mês de outubro será marcado por protestos na educação em Portugal. Professores, assistentes operacionais e técnicos especializados avançam com três greves para demonstrar o descontentamento com os horários e as atuais condições de trabalho nas escolas.

Entre as principais reclamações está a sobrecarga dos horários, considerada pelos docentes abusiva e ilegal. Os profissionais também apontam para o desgaste provocado pelo recurso a horas extraordinárias para compensar falhas nas escolas logo no início do ano letivo.

A primeira paralisação acontece já no final desta semana. Depois, está prevista uma greve mais prolongada entre os dias 6 e 9 de outubro. O ciclo de protestos termina com uma terceira paralisação marcada para 19 de outubro.

Professores portugueses estão entre os mais insatisfeitos

A mobilização acontece num momento em que dados do mais recente relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) colocam os professores portugueses entre os mais insatisfeitos com as condições de trabalho, principalmente em relação aos salários.

Além das reivindicações relacionadas à valorização profissional, as escolas portuguesas continuam enfrentando dificuldades para preencher determinados horários.

O ministro da Educação, Fernando Alexandre, desvalorizou o impacto dos 408 horários que ficaram por preencher no ano passado, afirmando que a situação seria irrelevante caso fosse generalizada para todo o país.

Apesar disso, a falta de professores continua afetando milhares de estudantes, que permanecem sem aulas em pelo menos uma disciplina.

Envelhecimento dos professores preocupa

Outro desafio enfrentado pela educação em Portugal é o envelhecimento do corpo docente.

O país registra a população de professores mais idosa entre os países da OCDE e, ao mesmo tempo, apresenta a menor taxa de formação de novos profissionais para a área.

Dados de dois anos atrás mostram que apenas 6% dos professores tinham menos de 35 anos. Em contrapartida, 38% dos docentes tinham 55 anos ou mais.

Esse cenário aumenta a preocupação com a renovação da profissão e com a capacidade de garantir professores suficientes para atender às necessidades das escolas nos próximos anos.

Governo anuncia investimento para formar novos docentes

Como resposta ao problema estrutural, o Governo vai investir 28 milhões de euros em 15 novos contratos-programa com instituições de ensino superior.

A iniciativa pretende aumentar a formação e a profissionalização de novos professores, ajudando a reforçar o número de profissionais disponíveis para trabalhar nas escolas.

Segundo informações apresentadas pelo ministro da Educação, 6.043 novos professores ingressaram no sistema no último ano. Além disso, três mil docentes decidiram adiar a aposentadoria.

Apesar da insatisfação relacionada às condições de trabalho e à valorização da carreira, a intenção de abandonar a profissão continua relativamente baixa.

Apenas 5% dos professores entre 30 e 49 anos consideram deixar o ensino nos próximos cinco anos.

As três greves previstas para outubro, porém, mostram que questões relacionadas aos horários, salários, sobrecarga de trabalho e valorização profissional continuam no centro das preocupações dos trabalhadores da educação em Portugal.

Fonte: averdade.com

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